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Le Monde

09/09/2009 - 00h31

Gripe A, a primeira pandemia televisionada

Franck Nouchi

Se você gosta do debate sobre a taxa de carbono, vai adorar o da gripe A. Existem os partidários da vacina, aqueles que defendem a ideia de uma utilização de medicamentos antivirais a título preventivo, e aqueles que pensam que, comparada às grandes pandemias responsáveis por centenas de milhares de mortos, a gripe A é fichinha.
  • CBS News

    Le Monde: A cobertura televisionada do avanço
    do H1N1 seria compatível com a serenidade para o processo de decisão em matéria de saúde pública?



Recapitulando: dez dias atrás, no "Le Monde" (30-31 de agosto), a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Dra. Margaret Chan, explicou que o vírus H1N1 "viaja a uma velocidade sem precedentes, inédita. Em seis semanas, ele percorre a mesma distância que outros vírus percorrem em seis meses". Essa renomada especialista em saúde pública avisou: "Até 30% dos habitantes de países de forte densidade populacional correm o risco de serem infectados".

No domingo, no programa "C politique" do canal France 5, Roselyne Bachelot, assumindo responsabilidade pela recomendações da OMS, explicava seu plano, mais especificamente em relação à vacina. Na manhã seguinte, o professor Marc Gentilini, ex-presidente da Cruz Vermelha, era o convidado matinal da rádio France Inter. Mudança radical de ponto de vista: "as autoridades políticas são vítimas da pressão exercida pelas autoridades sanitárias".

Segundo esse renomado especialista em doenças infecciosas, os dirigentes da OMS, "por não terem feito o suficiente na época da epidemia da Aids, 'estão fazendo demais'" desta vez. "O famoso princípio da precaução", acrescenta Gentilini, "não é feito para proteger as autoridades, mas para proteger a população". "Esse 1,5 bilhão de euros que vai ser gasto na luta contra a epidemia de gripe A na França não poderia ser utilizado com mais eficácia em outra coisa?", ele pergunta, lembrando que enquanto 2.000 pessoas morriam no mundo em consequência da gripe A, mais de 500 mil morriam em consequência da malária. "Governar é prever o pior?", lhe pergunta Nicolas Demorand. "Acredito que não", responde Gentilini. "É preciso encontrar o equilíbrio. Pecar pela falta é um erro grave. Mas pecar pelo excesso também".

A própria Dra. Chan disse: "É a primeira vez na história que vemos uma pandemia avançar diante de nossos olhos". Na segunda-feira à noite, o assunto principal dos noticiários dos canais TF1, France 2 e M6 era o cancelamento de aulas ocorrido nos últimos dias na França, por causa da gripe A. Diante de David Pujadas, mais uma vez Marc Gentilini emitia uma opinião dissonante.

E afinal nos perguntamos se, em tal contexto de incertezas, a transmissão televisionada do avanço do H1N1, quase ao vivo e com todas as aproximações que isso supõe, seria compatível com a serenidade necessária para o processo de decisão em matéria de saúde pública.

Tradução: Lana Lim

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