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Sexta-feira, 5 de junho de 2020

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Submarinos particulares ganham popularidade entre milionários

Philip Bethge
Deborah Weinberg

Recentemente, Graham Hawkes acompanhou um grupo de tubarões-martelo. Com ele em seu Deepflight Super Falcon estava um investidor chamado Tom Perkins, cliente potencial. “Estávamos literalmente os perseguindo por baixo”, disse Hawkes. “Parecia que estávamos voando em um céu líquido”.

Hawkes é engenheiro de Point Richmond, na Califórnia, e sua oficina se localiza na marina da cidade, na baía de San Francisco. O fluxo de visitantes não é exatamente grande, mas, quando aparecem, geralmente têm os bolsos cheios. Hawkes constrói submarinos para milionários.

Sua empresa, a Hawkes Ocean Technologies, faz parte de uma série de empresas especializadas em levar os super-ricos em mergulhos. O Deepflight Super Falcon, por exemplo, custa US$ 1,7 milhão (algo em torno de R$ 3 milhões). O Ocean Pearl, da fabricante norte-americana SEAmagine, custa ainda mais, US$ 2,5 milhões (cerca de R$ 4,5 milhões), mas tem a vantagem de mergulhar a profundidades de cerca de 900 metros.

A Triton Submarines, com sede em Vero Beach, na Flórida, é outra empresa especializada em submersíveis para abastados. “Nossos clientes são proprietários de iates que querem oferecer aos amigos e familiares algo especial”, diz Bruce Jones, diretor da Triton. Nas profundezas, “eles podem mostrar coisas que seus amigos nunca viram antes”.

A crise não prejudicou a demanda

A crise financeira não conteve a demanda por submarinos, diz Jones, 55. “Há 2.500 grandes iates no mundo hoje”, acrescenta, e a maior parte tem espaço para levar um submarino.

Hoje, Jones está nas Bahamas para um teste drive. Cerca de 20 clientes interessados vieram à ilha de Grand Bahama para experimentar os submarinos da Triton. Do cais em McLeans Town, uma lancha os leva pelo mar turquesa para o Atlantis 2, um antigo barco de pesquisa que Jones usa como nave mãe para sua frota de submarinos.

O empresário de bigodes recebe seus convidados no convés, onde dois submersíveis amarelos estão esperando. Boias volumosas montadas ao lado também funcionam como lastro. As características marcantes do Triton, porém, são as esferas de acrílico em cima e em baixo dos submarinos, oferecendo uma visão panorâmica de 360 graus.

Um guindaste baixa o Triton 3300/3, que leva três pessoas e pesa oito toneladas na água. Os convidados entram por uma pequena escotilha no alto. O piloto Troy Engen aponta as duas válvulas pretas localizadas atrás dos assentos de couro artificial cinza e explica que podem ser usadas para rapidamente “subir (o submarino) em caso de emergência”.

“Carregado”, diz Engen ao microfone que o mantém em contato com o Atlantis 2. O piloto deixa a água invadir as boias. Algumas ondas batem sobre o submarino, e depois a calma volta. Os únicos sons são do motor elétrico e do ar-condicionado.

Direto de um filme de 007

Engen empurra o joystick preto do painel de controle para frente. “Direção 285 graus”, informa ao navio acima. “Sistemas de suporte de vida ok”. O Triton continua avançando, bem acima de um coral, como algo saído de um filme de James Bond.

Peixes coloridos brilham à luz de LED do submarino. Um tubarão lambaru surge debaixo dos pés dos passageiros --uma experiência surreal, já que a parede acrílica da cabine, com cerca de 16 cm de espessura, fica invisível debaixo d'água. “Impressionante, né?”, pergunta Engen, bem humorado e bronzeado.

O Triton 3300/3 pode ficar debaixo d'água por cerca de dez horas e custa perto de US$ 3 milhões (R$ 5,4 milhões, aproximadamente). A maior parte dos clientes da empresa prefere permanecer anônima; Jones recentemente vendeu dois submarinos para um empresário australiano que tem uma ilha privada em Belize.

A próxima ideia de Jones é levar turistas para debaixo d'água. Ele está construindo um hotel com suítes submersas (preço por semana: US$ 15 mil --cerca de R$ 27 mil) em uma ilha privada no arquipélago de Fiji. Cinco submarinos estarão disponíveis para levar os convidados pelos arrecifes artificiais durante o dia. “Sou só um menino velho vivendo um sonho”, diz o diretor. Quando garoto, ele escrevia cartas ao lendário oceanógrafo francês Jacques-Yves Cousteau, mas conta, tristemente: “Infelizmente, ele nunca respondeu”.

Os submarinos da Triton são máquinas grandes e pesadas, dificilmente funcionais sem um barco de apoio, mas Graham Hawkes, da Califórnia, desenvolveu um conceito de submarino muito diferente. Seus barcos são mais esportivos e estreitos --parecem pequenos aviões com asas estranhas.

Um “voo sobre antigos naufrágios”

“Estamos construindo os jatos das profundezas”, diz o inventor, que gosta de comparar seu trabalho com o dos pioneiros da aviação. Ele tem um discurso enfeitado e promete um “voo sobre antigos naufrágios”, “brincadeiras com os golfinhos” e “pulos com as baleias”.

Um novo design torna possíveis essas embarcações leves. Diferentemente de outros submarinos, os modelos Deepflight não afundam usando seu próprio peso e sim aplicando um princípio da física similar ao que é usado nos aviões: quando a água passa pelas asas invertidas, o barco é empurrado para baixo.

Um Super Falcon está na oficina de Hawkes em Point Richmond. Dois hemisférios de plexiglas se curvam do alto do submarino em formato de cigarro, como cabines de comando de caças. Hawkes entra na cabine da frente e explica a tecnologia. Um joystick guia o submarino. Instrumentos indicam a pressão e o oxigênio da cabine. Um compasso e um horizonte artificial dão a orientação, mesmo em águas turvas.

Este capitão Nemo moderno completou cerca de 200 mergulhos submarinos. Há poucos meses, Hawkes viajou para o golfo de Aqaba a convite do rei Abdullah 2º, da Jordânia. Com pesquisadores a bordo, Hawkes viu quase tudo na costa da Jordânia. “Voamos ao longo de todo o contorno de um coral”, lembra-se. “Em me senti um piloto de safari”.

Graham Hawkes e a mulher, Karen, montaram uma “escola de voo” para pilotos de submarinos como forma de atrair novos clientes. Muitos dos clientes são empresários enormemente ricos. O fundador da Virgin, Richard Branson, por exemplo, recentemente comprou um dos submarinos Merlin de Hawkes, que o bilionário agora aluga para visitantes em sua ilha paradisíaca no Caribe de Necker, por US$ 25 mil (cerca de R$ 45 mil) por semana.

Planos para submarinos mais acessíveis

Hawkes, porém, tem planos para produzir submarinos mais acessíveis para os menos abastados. Ele espera poder reduzir o preço de suas “Ferraris dos mares” para cerca de US$ 250 mil (algo em torno de R$ 450 mil) assim que houver uma demanda suficiente para os Deepflight. “Com nossos submarinos, descobrimos um novo mercado que ninguém tinha imaginado”, diz Hawkes, expressando esperança no desenvolvimento da empresa.

Quando isso acontecer, os super ricos terão que buscar algo mais exclusivo --talvez o modelo Phoenix 1000, fabricado pela US Submarines, que também faz parte do império de Jones, da Triton. Os passageiros desse iate submersível de 65 metros podem viajar com conforto acima e abaixo da água. Seus quartos de luxo podem levar facilmente 20 convidados. O fabricante promove o Phoenix 1000 como a única “oportunidade de explorar as profundezas do oceano do mundo, com conforto e segurança perfeitos”.

Esse luxo tem um preço, é claro. O Phoenix 1000 custa aproximadamente US$ 80 milhões (cerca de R$ 144 milhões).

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