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Quarta-feira, 22 de novembro de 2017

BOL Notícias

Brasil pode integrar conselho da ONU sobre refugiados palestinos

VENCESLAU BORLINA FILHO
DO RIO

O Brasil pode se tornar o mais novo integrante do conselho consultivo da UNRWA (Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos). O convite foi feito nesta semana pelo comissário-geral da agência, o italiano Filippo Grandi. Foi a primeira vez que o país recebeu um representante da instituição --criada em 1949-- em missão oficial.

A entrada no conselho, no entanto, tem que ser aprovada pela assembleia-geral da ONU (Organizações das Nações Unidas). Ainda não há uma data para a votação. Um dos critérios é Brasil atingir, pelo período de três anos, US$ 15 milhões em doações à agência. Neste ano, o país aumentou a doação para US$ 7,5 milhões. No ano passado, o valor não ultrapassou US$ 700 mil.

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, demonstrou interesse do país de entrar no conselho durante a semana. Caso se concretize, o Brasil será o primeiro país da América Latina e dos Brics (grupo de países emergentes formado pelo Brasil, Rússia, Índia e China), e poderá decidir as políticas da UNRWA. Hoje, a agência tem 23 países integrantes.

A visita de Grandi também pode render dois acordos de cooperação com os Estados do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. O primeiro deles seria na área da agricultura, uma tradição no Estado gaúcho. O comissário-geral se encontrou durante a semana com o governador Tarso Genro (PT). Juntos, eles vão decidir pelo desenho do acordo.

Com o Rio de Janeiro, uma das ideias é aplicar as ações sociais desenvolvidas nas favelas em pelo menos dois campos de refugiados palestinos. "As favelas são muito parecidas com os campos de refugiados palestinos e vamos estudar as ações para serem aplicadas nos locais. Depois vamos atrás dos recursos", disse Grandi.

No Brasil, segundo estimativas do Ministério das Relações Exteriores, existem cerca de 75 mil refugiados palestinos. Um terço está localizado no Rio Grande do Sul. Eles chegaram entre os anos de 2007, 2008 e 2009 vindos do Iraque. No país, eles são acompanhados pela ACNUR (agência da ONU para refugiados em geral).

De acordo com a UNRWA, 5 milhões de refugiados palestinos estão abrigados em campos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, e também na Jordânia, no Líbano e Síria. Os recentes conflitos na Síria são os que mais preocupam a agência. No entanto, de acordo com o comissário-geral, a situação está sob controle, com muitos deles indo para o Líbano e a Jordânia.

A UNRWA tem um orçamento anual de US$ 1,5 bilhão. A metade é destinado a programas regulares, enquanto a outra metade fica reservada a ações emergenciais. Mesmo assim, de acordo com Grandi, os programas regulares precisam de reforço no financiamento. Entre os principais países doadores, estão a Turquia e a Arábia Saudita.

Neste ano, o Brasil incluiu no orçamento federal uma rubrica de R$ 6,5 milhões para Estados, instituições e civis na ajuda a refugiados internacionais. Segundo o ministro Milton Rondó, coordenador-geral de ações internacionais de combate à fome do ministério, o governo está dando publicidade à ação para que os recursos possam ser aplicados.

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