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Quarta-feira, 13 de novembro de 2019

BOL Notícias

Nintendo perde espaço para tablets e smartphones

BRUNO ROMANI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Pela primeira vez na história, a Nintendo deve fechar um ano fiscal no vermelho. E uma das causas para o prejuízo pode ser o crescimento do Android e do iOS no gosto dos jogadores de videogame.

A projeção foi feita pela própria empresa japonesa, no fim de outubro. Na ocasião, a Nintendo anunciou os resultados de seu primeiro semestre fiscal com prejuízo líquido de US$ 925,4 milhões.

Para o segundo semestre fiscal, que termina em março, a expectativa de perda é de US$ 264 milhões. Total do rombo: US$ 1,19 bilhão.

Mario Anzuoni/Reuters
Satoru Iwata, presidente da Nintendo, apresenta o controle do Wii U durante a feira E3, em Los Angeles
Satoru Iwata, presidente da Nintendo, apresenta o controle do Wii U durante a feira E3, em Los Angeles


Foram apontadas duas causas para o primeiro ano vermelho em 30 anos da criadora de Mario Bros. Uma é a apreciação do yen diante do dólar, que neste ano atingiu níveis históricos, o que forçou o governo japonês a intervir na economia do país no começo de novembro para salvar as suas exportações.

O outro fator foram as fracas vendas de consoles e seus títulos. O Nintendo 3DS, grande aposta da empresa para 2011, teve uma recepção fria em seu lançamento, em fevereiro. Foi considerado caro demais pelos jogadores, o que forçou a companhia a cortar preços globalmente.

Em julho, por exemplo, a empresa derrubou os preços do 3DS nos EUA de US$ 249,99 para US$ 169,99, o que ajudou a levantar as vendas. No semestre fiscal, foram 3,07 milhões de unidades vendidas do 3DS no mundo.

Na última quinta, a Nintendo anunciou que os primeiros oito meses de venda do 3DS nos EUA já superaram o primeiro ano de vendas do DS original no país, que foi de 2,37 milhões de unidades. Mas o estrago já estava feito.

ANDROID E IOS

Enquanto a Nintendo patinava, smartphones e tablets com Android e iOS avançavam no mercado de consoles portáteis. Segundo a consultoria Flurry, os sistemas operacionais de Google e Apple devem ficar juntos com 58% da receita do mercado móvel de games nos EUA. A Nintendo, com a linha DS, deve ter 36%, e a Sony, 6%.

Em 2009, Android e iOS dividiam 19% desse mercado, enquanto a Nintendo engolia 70% dele. Naquele ano, nem iPad ou smartphones potentes com Android haviam sido lançados. E o iPhone 3GS só chegou às lojas em junho.

O crescimento da presença de Android e iOS no mercado móvel, portanto, acompanhou as melhorias e lançamentos de aparelhos com os sistemas operacionais.

Nos rankings da App Store da Apple, a presença de jogos entre os aplicativos mais populares é grande. E uma pesquisa da GfK publicada em outubro mostrou que donos de tablets tendem a jogar menos em consoles e mais em suas pranchetas digitais.

Dos entrevistados, 59% disseram que não jogam mais em consoles com a mesma frequência de antes.

Um sinal de que a Nintendo está incomodada com o que vem do mundo móvel é o Wii U, console da empresa que deve chegar às lojas no segundo semestre de 2012.

O joystick tem jeitão de tablet, e sua conexão à TV lembra a do iPad via AirPlay. A empresa nega a inspiração.

Editoria de Arte/Folhapress


FIRMES E FORTES

De San Francisco, nos EUA, Bill Van Zyll, gerente-geral para América Latina da Nintendo of America, conversou com a Folha por telefone. O ano ruim da empresa e a ameaça do mundo móvel foram os principais pontos da entrevista.

*

Folha - A Nintendo teve um ano ruim e houve um avanço do Android e do iOS. Como a companhia planeja reconquistar o território?

Bill Van Zyll - Continuamos focados em levar ótimas experiências aos consumidores. Para os portáteis, vemos um momento de grandes oportunidades. Nossas pesquisas internas demonstram que eles não estão sendo muito afetados pelos smartphones.

Mas pesquisas mostram que a Nintendo perdeu receita no mercado móvel de games...

Nossos portáteis continuam fortes. Os primeiros oito meses de vendas do 3DS superaram o primeiro ano de vendas do DS original. E nem chegamos às compras de Natal, responsáveis por grande parte das vendas.

Ainda assim, a Nintendo não esperava um começo melhor para o 3DS?

Sim, você está correto. Há algumas razões para isso. Só agora estamos vendo títulos fortes, como Super Mario 3D, chegarem ao mercado. O outro problema foi o preço. Era muito alto. Tivemos que reduzir. Vemos agora as vendas se ajustando.

A Nintendo planeja fabricar smartphones e tablets?

Não. Somos muito focados no que fazemos. Nossa força está em games.

O joystick do Wii U parece um tablet. Foi coincidência?

Houve uma convergência. Às vezes, nossos designers têm ideias de produtos, mas a tecnologia não está pronta para isso. Novas tecnologias criam oportunidades. O novo joystick não foi guiado pelos tablets.

A Nintendo sempre disse que nunca licenciaria personagens e marcas para outras plataformas de outras empresas. Isso pode mudar?

Não existem planos para isso. A Nintendo tem marcas muito fortes e é bem protetora. Temos muita preocupação com a qualidade de como outros aparelhos usariam esses personagens.

Mas a Nintendo é completamente rígida? Nunca?

É perigoso dizer a palavra "nunca", porque ela é tão absoluta [risos]... Mas, conhecendo a Nintendo, diria que isso é bem pouco provável.

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