Representante das Testemunhas de Jeová nega que atirador fosse da comunidade religiosa

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Um representante das Testemunhas de Jeová desmentiu neste sábado (9) que Wellington Menezes de Oliveira, 24, autor do massacre de 12 estudantes em Realengo, no Rio de Janeiro (RJ), participasse da comunidade e seguisse a religião. A nota de esclarecimento, obtida com exclusividade pelo UOL Notícias, deve ser divulgada em breve pela entidade.

De acordo com o texto, assinado por Antônio Marcos Oliveira, representante das Testemunhas de Jeová, apesar de a mãe adotiva de Oliveira, Dilcéia Menezes Pereira, frequentar o culto, o atirador não seguiu a sua religião.  

O texto prossegue afirmando que o comportamento de Oliveira -- "introvertido e recluso" --, além da carta de despedida deixada por ele, indicavam "sério desequilíbrio mental", que não condizem com a maneira de proceder de um membro da religião das Testemunhas de Jeová.

Veja a seguir a íntegra da carta:

"Em razão da lamentável tragédia ocorrida na última quinta-feira na Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro de Realengo no Rio de Janeiro, as Testemunhas de Jeová vêm a público para expressar sua solidariedade às famílias das vítimas, juntando-se a elas em seu luto e indignação, para esclarecer à opinião pública que o atirador Wellington Menezes de Oliveira não era Testemunha de Jeová. Embora sua mãe de criação, já falecida, fosse Testemunha de Jeová, Wellington, porém – como já veiculado pela imprensa – não seguiu a religião de sua mãe, tendo demonstrado tanto pelo seu comportamento introvertido, recluso, como pelo teor de sua carta de despedida, que sua maneira de agir indicava sério desequilíbrio mental, nada tendo a ver com o proceder de um membro da religião das Testemunhas de Jeová.

Testemunhas de Jeová são cristãs – elas amam a vida e as pessoas em geral. Seu estudo regular da Bíblia as move a buscar maneiras de fazer o bem, a seus familiares, a seus amigos e a todos os seus semelhantes. Portanto, reiteramos que o homem que cometeu os crimes bárbaros na escola municipal Tasso da Silveira não era membro da religião das Testemunhas de Jeová.

Esperamos que esta declaração seja suficiente para dirimir qualquer dúvida sobre esse assunto."

Atenciosamente,

Antônio Marcos Oliveira

Superintendente do Circuito RJ-07

Representante das Testemunhas de Jeová

Entenda o caso

Na quinta-feira (7), por volta de 8h30, Wellington Menezes de Oliveira entrou na escola Tasso da Silveira, em Realengo, dizendo que iria apresentar uma palestra. Já na sala de aula, o jovem de 24 anos sacou a arma e começou a ameaçar os estudantes.

Segundo testemunhas, o ex-aluno da escola queria matar apenas as virgens. Wellington deixou uma carta com teor religioso, onde orienta como quer ser enterrado e deixa sua casa para associação de proteção de animais.

O ataque, sem precedentes na história do Brasil, foi interrompido após um sargento da polícia, avisado por um estudante que conseguiu fugir da escola, balear Wellington na perna. De acordo com a polícia, o atirador se suicidou com um tiro na cabeça após ser atingido. Wellington portava duas armas e um cinturão com muita munição.

Doze estudantes morreram --dez meninas e dois meninos-- e outros 13 ficaram feridos no ataque.

Na sexta (8), 11 vítimas foram sepultadas nos cemitérios da Saudade, Murundu e Santa Cruz. Já no sábado pela manhã, o corpo de Ana Carolina Pacheco da Silva, 13, o último a deixar o Instituto Médico Legal (IML), foi cremado no crematório do Carmo, no centro do Rio.

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