Justiça vai interrogar Elize Matsunaga em 11 de dezembro, e decidirá se ela irá a júri popular

Felipe Amorim
Do UOL, em São Paulo

O interrogatório de Elize Araújo Kitano Matsunaga, 30, ré confessa do assassinato e do esquartejamento do marido, o empresário Marcos Matsunaga, 42, será realizado no próximo dia 11 de dezembro, segundo foi definido nesta segunda-feira (12), em audiência de instrução do processo, realizada no Fórum Criminal Ministro Mário Guimarães, em São Paulo, na Barra Funda, zona oeste.

Após o interrogatório de Elize, o juiz aguardará apenas as alegações finais da acusação e da defesa para anunciar a decisão sobre se Elize será julgada por júri popular.

Como a defesa não contesta a tese do homicídio doloso (quando há a intenção de matar), a decisão do juiz da 5ª Vara do Tribunal do Júri deverá confirmar o julgamento de Elize pelo júri. A controvérsia entre acusação e defesa gira sobre o tipo de crime –e o tamanho das penas– pelos quais Elize deve ser julgada.

O promotor José Carlos Consenzo, que representa a acusação no processo, pede a condenação por homicídio triplamente qualificado --por motivo torpe (vingança), uso de recurso que dificultou defesa da vítima e meio cruel– cuja pena vai de 12 a 30 anos. Já o advogado de defesa de Elize, Luciano Santoro, pede a condenação apenas por homicídio doloso simples –com pena de seis a 12 anos--, além de que a pena seja diminuída de um sexto a um terço, pelo fato de o crime ter sido cometido supostamente sob "violenta emoção".

O depoimento da babá da filha do casal Matsunaga, Mauriceia José Gonçalves dos Santos, 42, que estava marcado para esta segunda, foi adiado também para 11 de dezembro, depois de a defesa de Elize insistir em ouvir uma testemunha que não foi localizada pela Justiça. Mauriceia afirmou em depoimento à Polícia Civil, na última quarta-feira (7), que Elize teria comprado uma serra elétrica no mesmo dia do crime.

A testemunha que a defesa pretende ouvir é Nathália Vila Real Lima, suposta amante de Matsunaga. O depoimento de Nathália foi remarcado para o dia 11 de dezembro, depois de ela não comparecer ao Fórum Criminal nesta segunda-feira, por não ter sido encontrada por oficiais de justiça no endereço fornecido pela defesa.

Traição, briga e morte

Segundo a defesa, Elize matou o marido após uma discussão na qual teria sido agredida por ele. A briga do casal começou porque ela teria descoberto uma traição de Marcos e, ainda segundo a defesa, temia ficar sem a guarda da filha em uma eventual separação do casal.

Ela está presa desde 4 de junho no Complexo Penitenciário de Tremembé (138 km de São Paulo), acusada de ter assassinado e esquartejado o marido no último dia 19 de maio, no apartamento onde o casal vivia, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, e ter jogado os pedaços do corpo dele em locais distintos de Cotia, na Grande São Paulo.

Na audiência desta segunda-feira foram ouvidos o médico legista Jorge Pereira de Oliveira, que fez a necropsia do corpo de Matsunaga, o perito criminal Ricardo Salada, responsável pela perícia no apartamento do casal após o crime, uma prima do empresário morto, Cecília Yone Nishioka, e o delegado Valter Sérgio de Abreu, que cuidou do caso quando este ainda era tratado como um possível sequestro do empresário.

Depoimentos

Segundo o advogado de Elize, Luciano Santoro, o médico legista Jorge de Oliveira descartou em seu depoimento a possibilidade de uma serra elétrica ter sido usada para esquartejar o corpo de Matsunaga. Já o promotor José Carlos Consenzo, afirma que este ponto da perícia ainda não está claro, e que o Ministério Público continua as investigações em um outro inquérito.

Também não houve consenso sobre a participação de uma terceira pessoa na cena do crime. Para o promotor, o exame de DNA que identificou sangue de um outro homem no quarto onde Mastunaga foi esquartejado indicam que Elize teve ajuda para cometer o crime.

Santoro, por sua vez, diz que o perito criminal Ricardo Salada afirmou no depoimento desta segunda-feira que o exame não é preciso sobre em que época a amostra do sangue foi inserida no quarto, se antes ou após a morte do empresário.

Uma terceira divergência surgiu sobre o depoimento da prima de Matsunaga, Cecília Nishioka. Segundo o promotor, Cecília afirmou que Elize havia lhe contado saber de "pontos cegos" no condomínio, por onde era possível uma pessoa entrar sem ser detectada pelas câmeras de segurança.

Para Consenzo, isto indicaria o caráter premeditado do crime. Já Santoro diz que durante o depoimento, a própria Cecília afirma que Elize teria obtido esta informação de uma equipe particular de investigação da Yoki, empresa da família de Matsunaga.

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