Sara Winter, primeira brasileira no Femen, fala de topless, feminismo e Dia da Mulher; leia entrevista

Lígia Hipólito
do BOL, em São Paulo

  • Reuters

    24.jun.2012 - Sara Winter, primeira brasileira a integrar o grupo ativista Femen, é detida durante protesto contra a Eurocopa próximo ao estádio de Kiev, capital da Ucrânia

    24.jun.2012 - Sara Winter, primeira brasileira a integrar o grupo ativista Femen, é detida durante protesto contra a Eurocopa próximo ao estádio de Kiev, capital da Ucrânia

Em entrevista exclusiva ao BOL, Sara Winter, 20, líder do Femen Brasil, movimento feminista que há quase um ano chama atenção do país com protestos de topless, conta que já foi prostituta na adolescência, fala sobre as dificuldades do ativismo com nudez  e ressalta a importância do Dia Internacional da Mulher (8 de Março): "É uma grande conquista para o movimento feminista. Comemoramos com muita alegria, como o nosso feriado". Leia na íntegra:

Por que a criação do Femen? O que fez uma menina de 19 anos ter esse tipo de iniciativa?

Sara - Quando eu resolvi trazer o Femen para o Brasil, eu já era fã do movimento. E eu sempre tive uma vida meio esquisita, sempre fui uma adolescente rebelde, sempre estive fora dos padrões e sempre senti na pele os efeitos disso – como você é tratado quando você não está nos padrões da sociedade – padrão estético, moral, psicológico. Eu era bem roqueira, escutava músicas diferentes. Quando fui crescendo, fui estudar política para entender como funcionam as coisas no Brasil, na América Latina. Passei por casos de violência no decorrer da minha vida e nunca pude fazer nada porque não tive uma instrução de como proceder caso algum tipo de violência acontecesse comigo. Em algum momento, eu entendi que existia um grupo que sabia como reagir a isso, mas eram pessoas com maior poder aquisitivo, que estavam dentro da universidade. E eu pensava: sou uma menina jovem, pobre e esse tipo de informação não chega até mim. Por que o feminismo não chega até mim? Aí eu entendi que o feminismo está totalmente centralizado na elite acadêmica e universitária. As ideias libertárias do feminismo são completamente segregadas na universidade, principalmente nas ciências humanas, sociologia, ciências sociais... E isso não chega até a população simples. Então, talvez se o feminismo tivesse chegado até a mim, eu nunca teria passado por uma situação de violência. Eu tive uma luz e pensei: "Se existe (o Femen) lá na Ucrânia podemos fazer aqui também". Era minha forma de levar esclarecimento até a população mais simples.

 

Ativismo

Como ocorreram seus primeiros contatos com o Femen da Ucrânia?

Sara - Eu procurei uma delas no Facebook, mandei uma mensagem falando que eu era brasileira. Enviei dados de pesquisas latino-americanas sobre índice de violência doméstica, estupro, estatísticas de feminicídio, e elas me falaram que seria ótimo começar o movimento na América Latina. Comecei a conversar com elas, criei a página no Facebook. Elas foram percebendo que eu era muito proativa, até que elas resolveram me convidar para ir para a Ucrânia.

Nessa ocasião, você participou de um protesto contra a rede de prostituição que ser formava em torno da Eurocopa. Como foi a experiência?

Sara - Elas mandaram US$ 1 mil para mim, o resto eu consegui com bicos, doações que eu pedia pela televisão, internet.  Para chegar até a Ucrânia foi supercomplicado para mim porque eu não tinha dinheiro, e os voos para a Ucrânia, que já nem é mais União Europeia, são extremamente caros. Então eu comprei um voo até a Polônia, que fazia escala em Amsterdã. De Amsterdã fui para Varsóvia, em Varsóvia perdi o trem e conheci uns meninos meio doidos, peguei carona com eles. O carro quebrou na estrada várias vezes, cheguei quase um dia atrasada. No terceiro dia que eu estava lá, na Ucrânia, eu protestei junto com a Alexandra Shevchenko. Nossa preocupação era porque em volta do estádio havia vários bordéis, que o próprio governo tinha criado para receber os turistas sexuais. No mesmo dia, havia ocorrido um protesto, algumas meninas foram presas.

Na Eurocopa, você ganhou visibilidade ao levantar a bandeira contra a prostituição, mas, no seu passado, você já se prostituiu. Existe algum tipo de contradição nisso?

Sara - Eu tinha 17 anos e me prostituí por dinheiro para pagar a faculdade [Sara cursava Relações Internacionais] – foram 10 meses. Acho que eu tenho facilidade para abordar esse assunto por ter tido experiência de causa. O Femen, internacionalmente, entende que a prostituição não é uma escolha. A prostituição não é exatamente uma opção para uma mulher jovem, pobre, sem educação e sem perspectiva de vida. Se ela quiser fazer uma faculdade, se ela quiser ganhar mais para ajudar a família em casa, não será possível com um salário de vendedora. Então, se tornar uma prostituta é algo extremamente fácil, mas depois fica muito difícil sair. Principalmente quando você é pobre. A maioria das garotas de programa ficam viciadas em dinheiro porque é um salto muito grande ganhar R$ 700 em um mês e ganhar o mesmo valor em duas horas. É muito comum que essas meninas ganhem muito dinheiro, mas elas não guardam. A prostituição é um trabalho temporário, ninguém nasce e fala: "Quero ser prostituta quando crescer". Por isso, acreditamos que a prostituição não pode jamais ser considerada uma escolha, ela é uma consequência de um sistema extremamente falido. E eu fui vítima desse sistema

Já que o feminismo defende o empoderamento do corpo para que a mulher faça com ele o que quiser, a prostituição não poderia ser enquadrada nesse aspecto?

Sara - Não porque você está sendo sujeitada a fazer isso; é muito subjetivo, você não gostaria de estar fazendo isso com seu corpo. O ideal seria poder conseguir dinheiro com trabalho sem colocar sua vida em risco.         

A sua primeira ação de fato foi um protesto no show da Gretchen na Virada Cultural de São Paulo, em 2012. Qual era o intuito?

Sara - Eu tentei fazer um protesto, mas na verdade não tinha nada a ver com a Gretchen. Calhou de eu estar ali, no momento, com tinta, cartaz e coragem. Ela estava lançando um CD, e a mídia toda estava lá. Pensei: "É uma ótima oportunidade para me manifestar". No cartaz que eu fiz estava escrito: "A cada cinco minutos uma mulher é agredida no Brasil". Eu nem sabia como se fazia um protesto, eu tentei subir no palco e o segurança me encheu de porrada, me jogou de lá de cima, me deu uns tapões e eu fiquei triste porque eu queria protestar. Aí eu acabei pedindo à organização do evento se eu podia subir e falar alguma coisa sobre violência doméstica e eles deixaram. Quando terminou o show, a mídia toda já tinha ido embora, mas eu consegui falar com o público que estava lá. Fiz o topless e passei a minha mensagem. Na época, eu estava virando uma célula do Femen.

Tendo em vista que temos Dilma como presidente da República, como você enxerga as lideranças femininas? Como você avalia o governo Dilma?

Sara - Acho que ter uma mulher no poder supremo no Brasil é como uma ilusão, porque quando a Dilma tomou posse a primeira coisa que ela fez foi engavetar todos os nossos direitos reprodutivos – não falando e não discutindo sobre aborto, por exemplo. Acredito que ela negligencia totalmente essa questão. Mesmo a Dilma sendo mulher, ela não representa as mulheres brasileiras. Ainda sofremos muito com exploração sexual, turismo sexual, violência doméstica, lesbofobia. As políticas públicas para as mulheres no Brasil precisam de uma melhoria muito grande que não está acontecendo, mesmo com uma mulher no poder.

Qual é o seu posicionamento com relação ao aborto?

Sara - Eu gostaria muito que o Brasil seguisse o exemplo do Uruguai tornando o aborto uma prática legal para todas as mulheres. Em primeiro lugar, a criança precisa ser desejada. Temos vários problemas de saúde pública por conta da criminalização do aborto, milhares de mulheres morrem. E é uma situação que não vai acabar nunca, então resolveria se as mulheres pudessem fazer isso com segurança e não em clínicas clandestinas de açougueiros e mercenários e, novamente, é algo que é negligenciado no Brasil por conta de questões religiosas.

 

O Femen no Brasil

Qualquer mulher pode se vincular ao Femen hoje?

Sara -Hoje trabalhamos com 15 meninas de vários Estados do país. Qualquer interessada acima de 18 anos, inclusive mulheres transexuais que residirem no Brasil, pode nos mandar e-mail para participar. É preciso uma dedicação de sete horas semanais ao ativismo: as militantes podem tirar fotos, escrever um texto, criar conteúdo para o site. Esse trabalho é para mostrar que as ativistas têm cérebro além de peito. As militantes têm que ser proativas dentro do movimento, além disso, precisam estar dispostas a fazer o topless. Do contrário pode contribuir como colaborador – não ativista. Quanto mais mulheres melhor, mas é muito difícil ser uma ativista do Femen porque pode comprometer o emprego, a família, o futuro. Então, tem de abdicar de muitas coisas.

Quantas mulheres o Femen Brasil tem hoje?

Sara - Somos 15 ativistas e uma equipe de umas dez pessoas, que faz o controle de mídias sociais, site, fotografia, design. Todos são voluntários. Para manter as atividades, vendemos camisetas, coroas, algumas doações também ajudam.

Existe um ranking mundial com a escala de atuação do Femen no mundo, começando pela Ucrânia?

Sara -O Femen está presente em mais de 30 países, mas a maioria deles funciona apenas como base de apoio. O ativismo mesmo está na seguinte escala: Ucrânia (40 ativistas), França (20 ativistas), Alemanha (15 ativistas) e Brasil (15 ativistas). A Itália está começando agora com os movimentos, e algumas meninas na Argentina e na Venezuela também tentam articular o ativismo na América Latina. No Brasil a dificuldade é que não conseguimos fazer volume, porque o país é muito grande e as ativistas estão espalhadas em vários lugares como Cuiabá, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Florianópolis, São Luís.

Quais são os principais problemas combatidos pelo movimento no Brasil?

Sara -Turismo sexual, exploração sexual, de adultos e crianças, violência doméstica e homofobia.

O Femen do Brasil se difere das outras unidades do movimento no mundo?

Sara - Sim, se difere por conta dos problemas peculiares ao país.

As ativistas de outros países mantêm contato com as brasileiras?

Sara -Mantemos contato, nos falamos via internet, telefone.

Existem outros movimentos feministas com os quais vocês se identificam?

Sara -Temos muita dificuldade com os outros movimentos. Há uma recusa, não entendemos a razão exata... Temos dialogado com a Marcha Mundial das Mulhere e o Observatório da Mulher. Os coletivos sérios têm uma proximidade com o Femen, mas já fomos recusadas em passeatas e vetadas de eventos, impedidas de aparecer. Em contrapartida, acredito que nunca o feminismo foi tão discutido como ocorre com a chegada do Femen no Brasil. Porque, antes disso, o feminismo parecia algo meramente acadêmico. Quando o Femen chegou com o protesto do topless, chamamos atenção por conta do alvoroço, do escândalo.

Você acredita que no Brasil, que é um país bastante erotizado pela cultura do Carnaval e outras formas de exposição do corpo, essa atitude de mostrar os seios pode ser mal interpretada?

Sara - Não porque o contexto de nudez das mulheres do Femen é outro. A posição que tomamos mediante a uma exposição é uma posição de agressividade. Quase sempre estamos gritando, expondo cartazes com nossas mensagens. Não assumimos a posição de sensualidade na hora do protesto. Muitas pessoas ficam confusas com relação ao topless. Algumas vão procurar entender o porquê disso. Mas o Brasil também é um país muito hipócrita, pois só temos essa erotização durante o Carnaval. No resto do ano letivo, o Brasil é extremamente machista; seu eu sair com short curto sou considerada puta.

Como você avalia as mulheres que expõem o corpo sem propósito algum?

Sara -São mulheres livres e eu respeito cada uma delas. Uma das principais causas feministas é o apoderamento do corpo, portanto, podemos falar: o corpo é meu e eu faço com ele o que eu quiser. Então, creio que não podemos desvalorizar a mulher que tem esse comportamento com o próprio corpo, seja pela exposição ou mesmo pelo lucro com o uso do corpo.

Uma mulher que se vincula ao Femen pode ser vista de forma preconceituosa na sociedade? Como é a sua vida em outros meios? 

Sara -Com certeza! Só por ser feminista, as pessoas já acham que tem alguma coisa errada... Dizem: "Ah, mas se você é feminista, então é lésbica. Se você é feminista você vai parar de se depilar? Quer a morte dos homens?". Ou seja, as pessoas têm uma ignorância muito grande com relação ao feminismo. As feministas já sofrem muito preconceito, o Femen, então, nem se fala pela questão do topless. Muita gente fala: "Você está fazendo isso para se exibir, quer ficar famosa, só quer atenção".

O Dia Internacional da Mulher, oito de março, foi originado por manifestações de mulheres que lutavam por melhores condições de trabalho em vários países e em diferentes momentos históricos. Qual é a visão do Femen sobre essa data?

Sara - Praticamente é o dia mais importante do ano para nós. Uma grande conquista para o movimento feminista, para o movimento de mulheres organizadas. Comemoramos com muita alegria, como o nosso feriado.

Você acredita que formas subjetivas de opressão às mulheres como as letras de alguns funks cariocas também devem sem combatidas por movimentos como o Femen?

Sara - O Femen combate tudo aquilo que representa o sexismo (ideias que representam um gênero em detrimento a outro). Mas é importante observar que, quando surge um movimento, sempre surge um contra-movimento e, nesse sentido, acreditamos que a Valesca Popozuda faz um funk feminista. Porque mesmo abordando o sexo de maneira explícita, ela coloca a mulher num papel de protagonista. Então, se ela quer o homem, é ela quem determina. Se ela não quer, ela dispensa. Em algumas canções, ela se coloca numa posição sexual de vantagem. Logo, muitas letras são feministas, sim, pois vão de confronto ao funk que subestima a mulher. É uma forma positiva de manifestação porque ela trata a mulher com empoderamento do próprio corpo. Então, não é mais o homem o dominante no sexo. Pela primeira vez, ela insere a mulher nesse contexto. Então é uma conquista. O que não anula a luta do movimento feminista sobre esse tipo de questão, apenas complementa.

E quanto à constante exposição que a Valesca faz do corpo em virtude do trabalho dela com o funk – como você avalia?

Sara - O Femen não é moralista. Ela pode se exibir como bem entender por ser uma mulher livre. não temos nenhum tipo de vínculo com ela [Valesca].

 

Linhas de pensamento

Correntes da internet já citaram que, em algum momento da sua vida, você teve algum tipo de simpatia pelo Plínio Salgado (líder da AIB Ação Integralista Brasileira), que tem uma linha considerada facista, além de outros movimentos neonazistas. Como você explica essa fase da sua vida?

Sara - Eu entendo que eu era meio tola quando eu era menor, eu tinha quinze anos. Eu sempre fui muito ligada a política, mas, na época, não sabia o que era direita, esquerda, nada disso. E eu me comunicava via internet com muita gente do Sul do país, que se declarava skinhead. Eram as únicas pessoas que eu conhecia que se interessavam por 2ª Guerra, que era o que eu estudava na escola, e o pouco de política que aprendi foi com eles. Por isso, acabei ligada a esse tipo de coisa. Mas nunca tive um movimento físico nesse sentido, nem militância, era só simpatizante. Depois, quando eu fiz 17 anos e fui estudar Relações Internacionais, eu entendi que não eram coisas boas. Passei a compreender as linhas políticas: direita e esquerda, etc. E fui me desapegando de todas essas ideias. Passei a ler Marx, Volteire, Russel. Fazia parte das disciplinas de política, sociologia e antropologia na faculdade. Quando comecei a ter contato com essas outras obras, eu percebi que eu preferia as ideias libertárias porque me cativavam mais. Hoje, sou totalmente avessa às ideias com as quais antes eu simpatizava.

O Femen segue alguma linha política?

Sara -Não nos envolvemos com políticas pré-definidas, nossa ideologia é o sextremismo. A Mulher na sociedade patriarcal não tem posição de fala, tem posição de submissão. A mulher precisa se descontextualizar, precisa estar onde ela não está – por isso a nudez. A nudez é usada pela sociedade patriarcal desde sempre, a mulher nua ou não vende todo tipo de produto. Já que somos mulheres, ao invés de vender produtos, vamos vender ideias sociais. Como todo mundo gosta de olhar o corpo de uma mulher, usamos o nosso corpo para passar uma mensagem escrita no peito, um protesto.

 

Vida pessoal

Como sua família avalia o seu ativismo com o Femen?

Sara -Minha família não acha exatamente certo, mas nunca tentou me impedir.

Na sua vida social- você tem um trabalho hoje?

Sara -Eu trabalho full time para o Femen, eu sobrevivo do dinheiro das camisetas que a gente vende. Hoje, vivo para isso, mas quero voltar a estudar. Eu fazia Relações Internacionais e tranquei por motivos pessoais. Eu me sinto muito livre para fazer parte do mundo corporativo. Como forma de sustento - no futuro - eu vou tentar abrir um negócio próprio. Eu não ficaria satisfeita recebendo ordens de outras pessoas ou em um trabalho que não me fizesse feliz. E tem a questão das tatuagens também. No Brasil, as pessoas acham que um desenho na minha pele vai interferir no meu desempenho profissional. Eu preciso estar num trabalho que me respeite como ser humano. Creio que, para trabalhar com a roupa que eu quero, da forma como eu quiser, só eu tendo um negócio mesmo. Mas nesse quase um ano de atuação de Femen eu aprendi muito, muito mais do que eu teria aprendido em qualquer outro trabalho ou mesmo em cinco anos de faculdade. Um dos meus sonhos de carreira é ser fotógrafa de guerra.

Você apanhou de um namorado quando era mais jovem e não o denunciou. Como isso ocorreu?

Sara - Eu tinha 18 anos e não sabia o que fazer, foram duas vezes. Hoje, várias meninas mandam mensagens para o Femen contando alguns acontecimentos do tipo. Nós temos advogados que trabalham conosco como voluntários, prestamos uma assistência jurídica para orientar sobre o que deve ser feito, e também prestamos uma assistência psicológica para ensinar sobre o feminismo – para que isso não se contabilize, para a mulher não se vitimizar. Na época, eu não entendia nada disso, não sabia o que fazer. O mais importante nesse tipo de situação é fazer o B.O., exame de corpo de delito, denunciar, procurar um advogado, procurar grupos de apoio.

Você entende por que algumas se acovardam nesse tipo de situação?

Sara - Sim, porque muitas mulheres dependem dos parceiros e muitas vezes eles são os maiores provedores do lar. O salário do homem no Brasil é maior do que o da mulher. Muitas mulheres dependem financeira e emocionalmente desses homens. Existe aquela sensação de submissão na qual a mulher fala: "Ele me bate, mas eu o amo, não consigo viver sem ele. Então, eu o perdoo". Às vezes, a dependência é de chantagem psicológica, exemplo: se eu o denunciar ele vai me bater mais, vai me matar, vai fazer algo de mal pra minha família. Existem milhares de motivos pelos quais a mulheres têm medo de denunciar a agressão, mas é muito importante que a denúncia seja feita e esses problemas cessem. Porque isso nunca terá solução se essa situação continuar decorrente. O ciclo da violência só acaba com a denúncia. O meu caso era uma situação de dependência.

Por que o nome fictício Sara Winter?

Sara - O primeiro motivo é proteger minha família, achei que meus pais não iam gostar se eu usasse meu sobrenome de verdade. Eu já usava esse nome antes porque eu gosto de uma cantora que chama Emilie Autumn [outono em inglês], então me batizei Sara Winter [o sobrenome significa inverno].

Últimas notícias Ver mais notícias