Em comunicado oficial, Femen confirma expulsão de líder brasileira

do BOL, em São Paulo

O movimento internacional Femen informou em seu site oficial, nesta segunda-feira (20), que rompeu com a líder do grupo no Brasil, Sara Winter, 20. Segundo o comunicado, "falha organizacional" e "abuso financeiro" causaram a expulsão da representante brasileira do grupo que promove protestos com os seios de fora.

A nota ainda ressalta que Sara está proibida de usar os símbolos da coligação – como a coroa de flores, por exemplo - e que, no prazo de seis meses, a liderança vai anunciar uma nova condutora no território brasileiro. A sede da Ucrânia também informou que desqualifica qualquer informação que seja veiculada pelo perfil brasileiro da organização no Facebook.

Sara Winter, por sua vez, se defende das acusações: "A gente tinha um relacionamento ruim que vinha se prolongando. É muito difícil para elas compreender e entender a nossa cultura. Voltei da Ucrânia, onde fiz treinamento com elas, com uma imagem muito diferente do que é passado sobre o movimento. A gente tende a enxergá-las como heroínas, mas, na verdade, são patricinhas ricas que chegam a ter 20 mil dólares por mês para gastar com ativismo", afirmou a brasileira em entrevista ao jornal "O Dia" no domingo (19).

Sara explicou que a liderança ucraniana também alegou que a brasileira não cumpriu ordens, como, por exemplo, invadir o desfile das escolas de samba na Marquês de Sapucaí, no Rio, com extintores e jogar espuma nas pessoas, além de alugar um helicóptero para pichar o Cristo Redentor.

Ao portal "G1", no sábado (18), Alexandra Shevchenko, 25, ativista e cofundadora do Femen, declarou que Sara foi excluída da organização porque "não respeitava a ideologia" do grupo. "Ela não foi capaz de fazer o que era necessário. Ela não estava pronta para ser parte do Femen", disse a militante.

A ativista afirmou ainda que a ex-líder brasileira não prestou contas dos fundos que a organização enviava para os trabalhos do Femen no Brasil. Sara rebateu dizendo ter todas as notas e comprovantes dos gastos e que a liderança ucraniana tem conhecimento de como o dinheiro foi utilizado.

"Em fevereiro, elas mandaram R$ 2.700 para financiar alimentação, transporte e hospedagem das ativistas durante protestos que ocorreriam no Carnaval. A gente ia invadir o sambódromo [do Rio de Janeiro], mas não deu certo. Íamos transferir a data, mas elas mandaram parar imediatamente com a ação. Ela [Alexandra] disse a mim, pelo Skype, que eu poderia ficar com o resto do dinheiro para alugar uma sede para a organização, que não precisaria ser aplicado em outra ação, mas poderia ser usado em benefício do Femen", explicou Sara.

"Se eu soubesse como o Femen da Ucrânia é podre, nunca tinha me enfiado nisso. Mas não me arrependo. Só fui ingênua de acreditar que elas iriam me dar tanto apoio. O interesse delas é dinheiro, fama e beleza", desabafou a brasileira ao "G1".

Sara, que estava morando no Rio, voltou para São Carlos (SP), onde mora sua família. Segundo declarou, tem o apoio das 15 mulheres que representam a organização em vários Estados brasileiros. "As outras meninas e eu conversamos se vamos continuar com a marca. Não vamos parar com o ativismo, e as outras meninas concordaram que não vão continuar sem mim. Somos mulheres livres, não queremos ser controladas por ninguém", complementa. "Não me arrependo de ter entrado no Femen, porque inspirei várias garotas", disse ela.

(Com informações do jornal "O Dia" e do portal "G1")

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