"Maníaco do volante" é condenado a 29 anos de prisão em MG

Rayder Bragon
Do UOL, em Belo Horizonte

  • Toninho Almada/Hoje em Dia/AE

    11.set.2012 - Marcos Antunes Trigueiro (de vermelho), conhecido como o "maníaco do volante", em seu julgamento no Fórum de Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte

    11.set.2012 - Marcos Antunes Trigueiro (de vermelho), conhecido como o "maníaco do volante", em seu julgamento no Fórum de Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte

O pintor Marcos Antunes Trigueiro, conhecido como "maníaco do volante", foi condenado pela Justiça de Minas Gerais a 29 anos e dois meses de prisão pelos crimes de latrocínio e roubo qualificado. Ele recebeu esse apelido porque suas vítimas preferenciais eram mulheres conduzindo seus carros.

Trigueiro cumpre pena na penitenciária de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, por ter sido condenado em três processos de três estupros e homicídios de mulheres. Os crimes foram cometidos entre os anos de 2009 e 2010 em Belo Horizonte e em Contagem. Ao todo, as penas somam quase 100 anos de prisão.

Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), o latrocínio cometido pelo condenado ocorreu em 2004, quando ele assaltou uma pizzaria em Contagem. Na ocasião, conforme o processo, Trigueiro roubou dinheiro, celulares, documentos pessoais e cartões bancários de frequentadores do local. Ainda dentro do recinto, ele pegou uma pochete de um homem e, em seguida, disparou um tiro em sua nuca, matando-o.

Durante a instrução do processo, Trigueiro negou as acusações e afirmou nunca ter estado no local, nem ter tido uma arma de fogo. Ele ainda afirmou que o reconhecimento dele realizado pelas testemunhas não poderia ser levado em consideração, já que o latrocínio ocorreu há alguns anos.

No entanto, o relator do processo, o desembargador Jaubert Carneiro Jaques, afirmou que as testemunhas não demonstraram dificuldade em "reconhecer prontamente" Trigueiro como sendo o autor do crime.

"Sendo assim, as palavras das vítimas devem ser consideradas aptas e seguras, não havendo qualquer possibilidade de que as mesmas tivessem intenção de incriminar um inocente, mesmo porque não faria sentido em esperar tanto tempo para proferir uma acusação falsa, sendo que poderiam ter atribuído a responsabilidade pela autoria do delito a qualquer um, se fosse o caso", concluiu o relator.

O UOL não conseguiu contato com o advogado de Trigueiro.

Estupros

A última condenação de Trigueiro em processo no qual ele fora acusado de estupro seguido de homicídio aconteceu em setembro de 2012.

Na época, ele foi apenado a 36 anos e nove meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, estupro e furto, em regime fechado, pela morte de Edna Cordeiro de Oliveira Freitas, 35, ocorrida em 2009.

Anteriormente, em setembro de 2010, o homem foi condenado a 28 anos de prisão pela morte da comerciante Maria Helena Aguilar, 48, em setembro de 2009. Nesse caso, a Justiça o condenou a 18 anos pelo homicídio, a mais oito anos pelo estupro e outros dois anos por furto praticado contra a vítima.

Ainda em 2010, mas em junho, ele havia recebido a pena de 34 anos e quatro meses de prisão pelo estupro e morte da empresária Ana Carolina Menezes de Assunção, 27, em abril de 2009. Ele foi sentenciado pelos crimes de homicídio qualificado, estupro, furto e por expor a vida de uma criança a perigo iminente.

De acordo com o TJ-MG, no dia 16 de abril, a vítima foi abordada por Trigueiro quando estava em seu carro, acompanhada pelo filho de um ano e meio, no bairro Industrial, em Contagem.

O homem teria simulado um assalto, entrado no veículo e mandado a empresária conduzir o carro para outro local, onde ela teria sido abusada e morta. O menino foi deixado no local. Durante o julgamento, Trigueiro assumiu que assassinou Ana Carolina no bairro Alto dos Pinheiros, na região noroeste da capital mineira.

Os crimes atribuídos ao maníaco pela Polícia Civil mineira mostraram o mesmo modo de ação -- as vítimas eram estupradas antes de serem mortas e tinham os pertences roubados.  Ainda segundo a investigação, o réu tinha predileção por mulheres desacompanhadas na direção de seus carros. Ele é acusado de outras duas mortes de mulheres. Porém, ainda não houve julgamento.
 

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