Reitor da UFRJ anuncia acordo de pagamento do salário de abril para terceirizados

Rio de Janeiro - Pressionado por alunos, o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Carlos Levi, anunciou acordo no Ministério Público do Trabalho (MPT) para o pagamento hoje do salário de abril a 1.200 empregados terceirizados, com atraso de 14 dias. Funcionárias do serviço de limpeza ouvidas pela reportagem afirmaram, porém, que estão sem receber há cinco meses. O problema levou à paralisação das aulas na semana passada.

Faixas com a frase "Terceirizado não é escravo!" foram espalhadas pela UFRJ. Reunião de Levi com estudantes que ocupam a Reitoria há cinco dias para discutir a possibilidade de retomada das aulas terminou em impasse. O Salão Nobre ficou lotado. Ao chegar, o reitor foi recebido aos gritos de "Terceirizado é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo!" e "Da aula eu abro mão, eu quero é salário, moradia e bandejão!".

A funcionária Ana Cristina Ribeiro, de 42 anos, há 13 anos na UFRJ e há 6 na empresa Qualitécnica, disse que a situação é "caótica". Ela tem dois filhos e precisa cuidar de dois netos, mas está sem o salário de R$ 910 e sem auxílio para transporte e alimentação. "Disseram que vão pagar abril, mas e os outros cinco meses?"

Outra funcionária mostrou mensagens recebidas pelo aplicativo Whatsapp com ameaças de corte caso falte ao trabalho nesta terça-feira. "Não tenho nem vale transporte", disse ela.

"O MPT confirmou o depósito, por isso não vejo razão para que as atividades não sejam retomadas", afirmou o reitor, que foi cobrado em relação a outros pontos da pauta de reivindicações.

O diretor do Instituto de Cardiologia, Nelson Souza e Silva, saiu em defesa de Levi e criticou o governo federal. "A terceirização de funcionários nos foi imposta, ferindo nossa autonomia. Não garantiram recursos para o aumento fantástico de estudantes que tivemos."

Segundo a Qualitécnica, o atraso decorre do não pagamento, pela UFRJ, de valores previstos no contrato. A Reitoria informa que o último repasse feito pelo Ministério da Educação equivale a 50% do orçamento líquido para pagar serviços terceirizados. Está prevista nova audiência na próxima quinta-feira.

Últimas notícias Ver mais notícias