Menina ajudada por policiais ganha doação de pais de garoto com a mesma doença

Ana Carla Bermúdez
Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Facebook

    Isabela e Chico nasceram com gastroesquise e precisam passar por cirurgia na Inglaterra

    Isabela e Chico nasceram com gastroesquise e precisam passar por cirurgia na Inglaterra

Após receber de policiais a doação de um prêmio da Mega da Virada, a família de Isabela Diringer foi surpreendida com outra ajuda especial. Os R$ 40 mil que faltavam para que a menina pudesse fazer uma cirurgia na Inglaterra foram doados a ela pelos pais de Francisco Benitez, o "Chico", de 4 anos, que é portador de gastroesquise – a mesma doença de Isabela.

"Só a gente vivendo é que sabe. Eu sei o que ela passa. E ela passa por isso há 12 anos, eu passo há 4. É muita luta, muita batalha", conta Jéssica Benitez, mãe de Chico.

Jéssica e Gláucia Diringer, a mãe de Isabela, moram em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo.

Ficaram "encantadas uma com a outra" quando se conheceram, diz Jéssica, porque não sabiam que existia outra pessoa passando pela mesma situação "tão perto assim".

Garotinho com grave doença no intestino sabe ler aos 4 anos

A ideia era que fizessem uma campanha de arrecadação juntas, mas uma piora no quadro de saúde de Isabela fez com que Gláucia precisasse começar antes.

"Mesmo assim, desde o começo a gente falou: se eu passar dos R$ 500 mil, vai para você; se você passar, vem para a gente. Sempre tivemos isso entre nós", ressalta Jéssica.

Em campanha para a cirurgia de Chico, Jéssica e o marido Bruno conseguiram levantar R$ 93 mil. Quando souberam que faltavam R$ 40 mil para que Isabela atingisse a meta, não hesitaram antes de doar esse dinheiro a ela, conta a mãe.

"Nessa cirurgia, quanto mais velha a criança for, o resultado pode não ser o mesmo. Ela não pode esperar muito tempo", explica.

Arquivo Pessoal
Por causa da doença, Isabela não pode comer normalmente

#VaiChico

Assim como Isabela, Francisco foi diagnosticado com gastroesquise --uma malformação que faz com que o intestino se desenvolva para fora do corpo-- ainda na gestação.

Com apenas 4 horas de vida, perdeu grande parte do órgão devido a uma necrose e vive desde então com SIC (síndrome do intestino curto). A doença, segundo Jéssica, impede que ele coma normalmente: sua alimentação é realizada através de um cateter e de uma gastrostomia.

 

"Ele corre riscos o tempo todo por conta desse cateter. No ano retrasado, o Francisco já teve uma parada cardíaca por uma infecção nele", conta Jéssica, que chegou a aprender técnicas de enfermagem para cuidar do filho em casa.

Um procedimento feito por um médico do Royal Manchester's Children Hospital, na Inglaterra, pode melhorar as condições de vida de Chico. Nessa técnica, o intestino é aberto para que seja feita a reconstrução da vascularização, dobrando assim a superfície de absorção do órgão.

Para arrecadar os R$ 500 mil necessários para a viagem e para a cirurgia, Jéssica e Bruno começaram a campanha #VaiChico, que tem um site e uma vaquinha virtual.

"É uma luta diária; todo dia é um ano novo. A gente acorda e vai dormir preocupado. É de ficar desesperada", conta Jéssica.

Mas, mesmo em meio às dificuldades, Chico surpreende: aos 4 anos, ele já sabe ler e falar inglês.

"Por ele ficar muito tempo no hospital, a gente buscou usar mais o cérebro dele. A gente trabalhou muito através de livros e, por isso, ele é avançado intelectualmente para a idade dele", explica a mãe.


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