Mãe dá a filho de 5 anos a 1ª lição de respeito à mulher e bomba na web

Bruna Souza Cruz
Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo pessoal

    Lucielle e o filho Otávio

    Lucielle e o filho Otávio

Uma conversa séria entre mãe e filho e uma carta com um pedido de desculpas resultou na primeira grande lição de respeito às mulheres do menino Otávio Ramos do Prado Feitosa, de cinco anos.

Tudo começou quando a mãe Lucielle Prado de Moraes, 29, foi informada que o filho havia se desentendido com uma coleguinha por causa de um lápis e acabou dando um tapa na mão dela. Segundo a mãe, o menino achou que a amiga não fosse devolver o objeto e bateu em sua mão numa tentativa de obtê-lo de volta. No dia seguinte, Otávio --com a ajuda da mãe-- escreveu uma cartinha para a colega pedindo desculpas e prometendo que nunca mais iria fazer isso.

Ao chegar na escola, Otávio a entregou para a colega de sala junto a um saquinho com doces. "Laura. Me desculpe por ter dado um tapa na sua mão. Eu aprendi com a minha mãe que não devemos bater nos nossos coleguinhas e que um homem nunca machuca uma mulher. Nunca mais vou fazer isso. Por favor me desculpe", escreveu Otávio na carta.

As desculpas foram aceitas.

A imagem da cartinha foi publicada por Lucielle e pouco tempo depois já havia viralizado nas redes sociais. Até as 14h30 desta segunda-feira (20), publicação com a foto da carta havia contabilizado mais de 140 mil compartilhamentos. 

"Nossa! Fugiu do controle. Nunca imaginava isso. Mas é muito legal ver que o carinho das pessoas. É nessa hora que eu vejo que devo estar fazendo um bom papel como mãe", afirmou a mãe ao UOL.

"Fiquei com muito orgulho dele [por ele ter entendido a lição] e fiquei feliz de conseguir passar o que eu acredito. O pai da amiguinha do Otávio, inclusive, me mandou mensagem dizendo que a carta vai ter resposta, que eles estão fazendo uma e o objetivo é semear o perdão nos corações deles [das crianças]."

E como lidar com a situação?

Quando soube da confusão envolvendo o filho, a primeira reação de Lucielle foi de estranhamento já que ela nunca havia percebido qualquer atitude agressiva da criança. O segundo momento foi de pensar em como abordaria o problema com o filho.

"É tão comum a violência contra a mulher e entendo que isso [aprender a respeitar as pessoas] seja de casa. Hoje, ele é uma criança de cinco anos, mas um dia será um homem de 25. A gente tem uma responsabilidade muito grande. Nós estamos formando os homens do futuro. Uma criança não aprende [o que é certo e errado] sozinha", afirmou Lucielle.

"Até a professora estranhou [a atitude do aluno]. Otávio sempre foi uma criança tranquila. Nunca brigou com primos, amigos. Na escola, nunca soube dele ser agredido ou ter agredido alguém", acrescentou.

Lucielle lembra que pensou muito sobre como iria fazer Otávio refletir sobre a atitude errada que teve, já que ela não queria bater ou colocar o filho de castigo. A saída encontrada foi então ter uma conversa bem séria com o garoto.

"Foi aí que expliquei para ele que a gente não devia bater nos coleguinhas, principalmente nas coleguinhas. Ele costuma ir comigo para a faculdade [onde a mãe estuda] e eu perguntei para ele: 'você gostaria que um colega batesse na mamãe?'. Ele logo arregalou o olho e eu reforcei que era preciso respeitar e proteger as meninas", contou.

Lucielle considera o exemplo que deu algo forte, mas que Otávio conseguiu compreender bem o que ela quis dizer. "É forte sim, mas ele é uma criança muito madura. E ele precisava entender [a gravidade do problema]. Sempre converso com ele de uma forma mais séria, sempre dou muito limite", disse.

"Não me considero feminista, mas o comportamento dele com uma mulher vai depender do que eu ensinar hoje. Quero que ele seja um homem carinhoso, respeitador, que trate bem as mulheres", concluiu.

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