Em crise, hospital da Uerj passa de 512 para 70 leitos e suspende novos atendimentos

Do UOL, no Rio

  • Carlos Eduardo Cardoso/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

    24.jan.2017 - Inscrição SOS no Anfiteatro da Uerj pede socorro à instituição

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A direção do Hospital Universitário Pedro Ernesto, vinculado à Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), anunciou nesta quarta-feira (14) que vai diminuir ainda mais o atendimento da unidade, já prejudicado pela grave crise financeira do Rio de Janeiro. A partir de segunda-feira (19), o hospital deixará de aceitar novas internações e serão realizadas apenas cirurgias de alto risco; consultas e exames também estão suspensos.

De acordo com a assessoria do hospital, apenas 70 dos 512 leitos da unidade estão em funcionamento. A direção atribui a decisão à situação dos servidores, há três meses com o salário atrasado, o que tem imposto "drama pessoal e familiar, caracterizado por endividamento financeiro, adoecimento psicológico e físico, além de impossibilidade financeira até de se locomover ao trabalho".

"Tem pessoas dentro do hospital e da universidade que não tem nem dinheiro para se deslocar de casa para o trabalho, eu mesma tenho escolhido que contas vou pagar. Esse mês, deixei de lado o plano de saúde e o telefone", afirmou uma servidora do hospital que preferiu não se identificar.

A decisão foi divulgada através de uma carta aberta, direcionada ao corpo clínico. A circular afirma que a direção do hospital "sempre esteve atenta aos fatos que vêm ocorrendo no nosso Estado" e ressalta que a medida, além de afetar pacientes, trará grave prejuízo aos residentes e alunos da universidade.

Serviços como limpeza e segurança têm sido pagos às empresas terceirizadas via arresto judicial há um ano, segundo o diretor-geral do hospital, Edmar Santos.

A última decisão de arresto foi da 6ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), em 16 de maio. Além da limpeza e da segurança, a alimentação dos pacientes, a rouparia e serviços de manutenção também foram pagos com o repasse compulsório.

Os servidores do Pedro Ernesto fazem parte do grupo de 207 mil funcionários do Estado que ainda não receberam o salário de abril integralmente. Nesta quarta-feira, o governo afirmou que depositaria cerca de R$ 700.

Em nota, a Secretaria Estadual de Fazenda informou que o restante do pagamento de abril depende da arrecadação do Estado

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