Após relatar estupro que sofreu de motorista da Uber, escritora cria campanha nas redes

Do BOL, em São Paulo

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    28,ago.2017 - A escritora Clara Averbuck

    28,ago.2017 - A escritora Clara Averbuck

A escritora gaúcha Clara Averbuck, de 38 anos, que relatou em seu Facebook o estupro que sofreu por parte de um motorista da Uber na noite de domingo (27), resolveu criar uma campanha nas redes sociais para que outras mulheres vítimas de assédio possam denunciar a violência sofrida.

Com a hashtag #MeuMotoristaAbusador, a escritora faz um apelo: "Por mim, por você e por elas. Denuncie".

Reprodução/Facebook
A hashtag #meumotoristaabusador reúne relatos de mulheres que já sofreram abusos
Em um artigo escrito para o portal da revista Claudia, Clara detalhou que foi estuprada quando estava perto de sua casa. "Dedico meus dias a lutar pelos direitos das mulheres e conheço bem os números de violência e como o sistema é despreparado para lidar com o problema. Por isso ontem, quando o motorista enfiou o dedo dentro da minha vagina depois de me empurrar do carro na rua escura ao lado da minha, eu vim pra minha casa e não fui à delegacia", contou.
 
A escritora falou ainda sobre a constante dúvida em registrar um boletim de ocorrência. "Quem vive na fantasia de que 'é só ir à Delegacia da Mulher' certamente jamais esteve em uma. Eu estive. Dezenas de vezes. Felizmente, nunca por violência cometida contra mim. Infelizmente, acompanhando mulheres absolutamente fragilizadas que precisavam de apoio e lá apenas encontraram despreparo e desencorajamento para a denúncia. Eu não estava e não estou em condições de passar por isso", relatou.
 
"Ainda estou decidindo se quero ir a uma delegacia da mulher, ser questionada; já que a violência sexual é o único crime que a vítima tem de provar. Ao mesmo tempo que não quero que esse homem abuse de outras mulheres, estejam elas vulneráveis ou não. Eu não quero me submeter ao que já vi tantas sofrerem na delegacia", completou.
 
Clara também fez questão de reforçar que mulheres em situações de vulnerabilidade não devem se sentir culpadas. "A culpa não é sua, mulher. A culpa é de um sistema que nos vitimiza. A culpa é de quem acha que a mulher que não vive em uma bolha de castidade merece ser violada. A culpa não é sua. A culpa não é nossa".
 
De acordo a escritora, a campanha #MeuMotoristaAbusador foi criada para dar voz às mulheres enquanto "o sistema é um conto de fadas mal contado e a polícia é despreparada para lidar com essas questões delicadas".
 
Após a criação da campanha, a hashtag #MeuMotoristaAbusador já conta com diversos relatos semelhantes de abusos sofridos por mulheres e mensagens de apoio à escritora.

Com a repercussão do caso, a Uber informou, através de comunicado, que o motorista foi desligado e não poderá mais dirigir através do aplicativo. "A Uber repudia qualquer tipo de violência contra mulheres. O motorista parceiro está banido e estamos à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações. Acreditamos na importância de combater, coibir e denunciar casos de assédio e violência contra a mulher".
 
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