Lula troca jatinho por carro e chega a Curitiba um dia antes de depor a Moro

Flávio Costa, Nathan Lopes e Vinicius Boreki
Do UOL, em Curitiba, e colaboração para o UOL, em Curitiba

  • Alex Silva/Estadão Conteúdo

    Movimento em frente ao prédio da Justiça Federal, em Curitiba, onde Lula irá depor

    Movimento em frente ao prédio da Justiça Federal, em Curitiba, onde Lula irá depor

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Curitiba na noite de terça-feira (12), de carro, para prestar o segundo depoimento ao juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância, marcado para esta terça-feira (13).

Segundo o ex-ministro Gilberto Carvalho, Lula chegou "bem" e está hospedado na casa de um amigo. Auxiliares do petista divergem sobre o motivo pelo qual o ex-presidente descartou a viagem de avião. Segundo alguns, foi devido ao alto custo de aluguel de um jato particular.

Já o ex-ministro Alexandre Padilha, vice-presidente do PT, disse que foi por uma questão de comodidade. "Foi opção dele para não ter que fixar horário. Outro dia Lula foi ao Rio de carro e gostou. Assim viaja mais discreto", disse Padilha.

A informação da chegada de Lula foi mantida sob sigilo durante todo o dia de ontem pela equipe do petista e pessoas próximas ao ex-presidente por questão de segurança e para "manter a privacidade dele", segundo o UOL apurou. Nem a diretoria paranaense do PT, que tem preparado atos pró-Lula, foi informada sobre o itinerário do político.

A confirmação da viagem de carro foi feita pela Polícia Rodoviária Federal. Segundo o órgão, Lula chegou por volta da meia-noite vindo de São Paulo pela rodovia Régis Bittencourt (BR-116), sem escolta.

Desta vez, o petista adotou um plano diferente do utilizado no interrogatório de 10 de maio, no primeiro processo que respondeu no âmbito da Operação Lava Jato. Na ocasião, ele chegou pela manhã em Curitiba após viajar em um jatinho, esteve em um escritório de advocacia de um amigo até o início da tarde, quando se dirigiu ao prédio da Justiça Federal. O ex-presidente, inclusive, chegou a percorrer parte do trajeto a pé.

Reuters
No primeiro depoimento a Moro, Lula viajou de jatinho

Na ocasião, Lula era réu em um processo sobre corrupção em três contratos entre a empreiteira OAS e a Petrobras. O petista foi condenado por Moro a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Segundo a sentença, Lula foi beneficiado com um apartamento tríplex no Guarujá (SP), fruto de vantagem indevida. O ex-presidente recorre da sentença em liberdade no TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região, a segunda instância da Lava Jato.

No processo em que será interrogado na quarta-feira, Lula responde, novamente, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. De acordo com a denúncia, ele estaria envolvido em um esquema de corrupção envolvendo oito contratos entre a empreiteira Odebrecht e a Petrobras.

Parte dos R$ 75,4 milhões desviados serviriam para pagar um terreno, em São Paulo, que sediaria o Instituto Lula e para comprar o apartamento vizinho ao em que vive o ex-presidente em São Bernardo do Campo (SP). A defesa do petista nega que ele tenha recebido tais benefícios.

Apoio

Cerca de 4.000 pessoas devem se concentrar na praça Generoso Marques em uma tentativa de dar as "boas-vindas" e prestar "solidariedade" a Lula. O público esperado pelo PT é cerca de um quinto do registrado em maio, quando se estimou a presença de 20 mil pessoas para apoiar o ex-presidente.

As lideranças regionais do partido no Paraná confirmam que, após a oitiva, o ex-presidente deve discursar no local. A expectativa é para a chegada de cerca de 50 ônibus do interior do Paraná --caravanas de outros Estados virão apenas por iniciativa própria.

O evento também deve receber figuras importantes do PT, como a senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do partido, o senador Roberto Requião (PMDB), João Pedro Stedile e Vagner Freitas, coordenadores do MST e da CUT, respectivamente, além de lideranças locais dos movimentos sociais.

Na programação, estão previstas atividades culturais e políticas, como uma aula pública a respeito dos métodos usados pela Lava Jato, ministrada pelo ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão, que tem postura crítica ao modus operandi da Lava Jato, com o uso de prisões preventivas, conduções coercitivas, entre outras estratégias.

Também será lançado o livro "Comentários a uma sentença anunciada: o processo Lula", que apresenta argumentos técnicos relativos à primeira sentença de Sergio Moro contra o ex-presidente. (Com Estadão Conteúdo)

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