"Prefiro a morte do que passar à história como mentiroso", diz Lula após 2º depoimento a Moro

Flávio Costa e Vinicius Boreki
Do UOL e colaboração para o UOL, em Curitiba

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse no início da noite desta quarta-feira (13), em discurso em Curitiba, que "prefere a morte do que passar à história como mentiroso". À tarde, ele havia prestado seu segundo depoimento ao juiz federal Sergio Moro, que comanda os processos da operação Lava Jato na primeira instância.

No depoimento, Lula afirmou que seu ex-ministro Antonio Palocci mentiu em seu depoimento na semana passada: "Eu conheço o Palocci bem. O Palocci, se não fosse um ser humano, ele seria um simulador", afirmou Lula. "Ele é tão esperto que é capaz de simular uma mentira mais verdadeira que a verdade. O Palocci é médico, calculista, é frio."

Ao público, Lula afirmou que voltaria à cidade quantas vezes fossem necessárias, "para que a verdade vença a mentira". "Eu não sei quantos processos eu tenho. Curitiba é muito perto. Eu não sei se eles vão cansar, porque eu não vou cansar". 

Lula estava um pouco afônico e se justificou dizendo que a caravana no Nordeste e o depoimento a Moro atrapalharam a sua voz. Entre o depoimento e a aparição, Lula descansou por cerca de uma hora em um hotel.

Assista na íntegra o discurso de Lula em Curitiba

'Um Lula incomoda muita gente, milhões incomodam muito mais'

A Polícia Militar estima que 2.000 pessoas se reuniram para ouvir o ex-presidente falar, enquanto os organizadores falam em 7.000. Lula chegou ao local por volta de 18h30 e, sob gritos de "olê, olê, olá", subiu no caminhão de som para fazer o discurso --com duração de 12 minutos. Antes disso, outros defensores falaram em sua defesa, criando um clima de pré-campanha, e foi tocado o hino nacional.

Como em outros discursos, o ex-presidente voltou a pedir provas de que teria cometido crimes: "Não estou acima da lei. Quero respeitar a Constituição. Mas quero que aqueles que estão me acusando tenham a dignidade de, se não encontrarem um real roubado na minha conta, que me peçam desculpa".

"Vocês procuraram a pessoa certa para lutar, porque eu vou lutar até os últimos dias da minha vida. Quem tem uma turma de companheiros como eu tenho não tem que temer." Mantendo este tom, o petista afirmou não ter medo de nada. "É bom eles temerem, eu vou provar que a gente vai consertar esse país", declarou. Depois, completou: "um Lula incomoda muita gente, mas milhões de Lulas incomodam muito mais". 

"Por sonhar, companheiros, eu, muitos que estão aqui e outros que já morreram, muita gente já morreu e foi castigada na universidade. Nenhum estadista que resolveu governar para os pobres resistiu à sanha da elite que governa o país", afirmou. "Cometi o erro para a elite brasileira de fazer com que o salário do trabalhador fosse aumentado."

Ato de olho na eleição de 2018

Antes do pronunciamento, um homem passou xingando Lula de ladrão. Defensores do ex-presidente bateram boca com ele, e a Polícia Militar o retirou para evitar uma briga. Um helicóptero com painel luminoso sobrevoou o local no exato momento em que Lula começou a falar, divulgando frases como "Lula, sua hora vai chegar" e "A Lava Jato vai acabar com esses corruptos". 

No local, estavam os senadores Gleisi Hoffmann, Lindberg Farias, Humberto Costa e Roberto Requião. Com seus discursos, o encontro virou um ato de pré-campanha do ex-presidente para as eleições de 2018.

Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, disse que quem defende os processos não suporta a participação do povo e a democracia. "Os mesmos que atacam e ofendem Lula são aqueles que ganham salários altos, acima do teto e se utilizam do estado brasileiro. Eles querem impedir que Lula se candidate à presidência da república em 2018. [...] Quem não quer Lula como presidente deve enfrentá-lo nas urnas, não no tapetão", continuou.

Gleisi comparou Lula aos ex-presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek pelas perseguições sofridas ao longo de suas vidas.

O advogado Juarez Cirino, que já atuou na defesa de Lula, também discursou: "O povo na rua é a principal defesa de Lula. Só o povo para neutralizar ou reduzir esta guerra contra o Lula. [...] Os processos contra Lula não são criminais, são políticos. Não existem atos criminosos cometidos por Lula".

"Estamos protestando contra um processo ilegal e seletivo", afirmou Requião, para quem a população precisa lutar pela sobrevivência dos direitos dos trabalhadores. "O liberalismo econômico derrubou uma presidente e colocou um projeto que chamou de ponte para o futuro. Precisamos lutar contra o que estão fazendo com o presidente Lula e com o Brasil", continuou.

LULA CHAMA PALOCCI DE "SIMULADOR, CALCULISTA E FRIO"

Segundo depoimento a Sergio Moro

Com cerca de duas horas, o segundo depoimento do ex-presidente ao juiz Sergio Moro chegou ao fim às 16h26. O primeiro, em 10 de maio, tratava de outra acusação –a do tríplex, pela qual foi condenado a nove anos e seis meses de prisão-- e levou cerca de cinco horas.

A audiência desta quarta estava ligada a suspeitas da participação de Lula em um esquema de corrupção envolvendo oito contratos entre a empreiteira Odebrecht e a Petrobras

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