Esperando nova denúncia, Temer diz que Brasil deve evitar abuso de autoridade

Luciana Amaral
Do UOL, em Brasília

  • Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

No mesmo dia em que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve apresentar uma nova denúncia contra o presidente da República, Michel Temer (PMDB), o peemedebista afirmou nesta quinta-feira (14) que o Brasil deve evitar o abuso de autoridade.

Para Temer, o abuso de autoridade se constitui não contra o presidente ou outros políticos, mas quando se "ultrapassa os limites da lei", sem citar nomes.

"Nós não somos autoridades. Nós somos autoridades constituídas, porque a única autoridade existente no sistema é a lei, é a Constituição. Então quando falam, por exemplo, de abuso de autoridade, eu costumo dizer que não é abuso de autoridade contra o presidente, o governador, o deputado. É quando alguém ultrapassa os limites da lei. Uma coisa que devemos evitar no Brasil", disse.

A declaração foi dada durante evento em Xambioá, em Tocantins, para onde viajou na manhã desta quinta para assinar a ordem de serviço da construção de uma ponte sobre o Rio Araguaia. A ponte ligará a cidade de Xambioá a São Geraldo do Araguaia, no Pará, onde a Presidência também promove solenidade para o mesmo ato.

Ontem, o STF (Supremo Tribunal Federal) rejeitou pedido da defesa de Temer para declarar Janot como suspeito, o que abriu caminho para a nova denúncia.

Desta vez, Temer deve ser denunciado pelos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça por Janot. A peça deve ser baseada nas delações premiada de executivos da JBS e do corretor de valores Lúcio Funaro, apontado como operador do PMDB.

Após a apresentação da denúncia, o próximo passo da tramitação será o envio da acusação à Câmara dos Deputados, que precisa dar aval ao processo no STF (Supremo Tribunal Federal).

No discurso, o presidente também falou ter mais um ano e meio de governo. Ou seja, Temer diz considerar que não será afastado do cargo e terminará normalmente sua gestão à frente do Planalto somente em dezembro de 2018.

"Tenho mais um ano e meio de governo e, por isso, tem de agilizar a ponte", disse Temer ao falar das ações governamentais em benefício para a região.

Temer falou ainda em pontes como o diálogo, no sentido figurado, que diz ter instalado no país. Segundo ele, se conseguiu formar "pontes" entre o Planalto, Congresso Nacional, empresariado e trabalhadores tendo, inclusive, promovido "uma pacificação entre os brasileiros".

"A ideia é sempre de ligação e eu confesso que estabeleci, meus amigos, muitas pontes no país. Entre elas, a qualidade de promover uma pacificação entre os brasileiros", afirmou.

Ao lado de ministros e políticos regionais, ele aproveitou a oportunidade para citar dados econômicos e voltar a dizer que o "Brasil está sendo colocado nos trilhos".

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