Meirelles descarta saída imediata do governo: não sou candidato a nada "no momento"

Luciana Amaral
Do UOL, em Brasília

  • Ueslei Marcelino 21.fev.2017/Reuters

    Presidente do Brasil, Michel Temer com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles

    Presidente do Brasil, Michel Temer com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta terça-feira (14) ter acertado com o presidente Michel Temer (PMDB) que não sairá da pasta na reforma ministerial a ser promovida pelo governo. No entanto, ele não descartou saída no futuro para candidatura à Presidência nas eleições de 2018.

Questionado pelo UOL sobre sua eventual exoneração, Meirelles afirmou que continuará à frente da equipe econômica pelos próximos meses. "Eu fico, continuo no ministério. Não sou candidato a nada no momento. Sou candidato apenas em tocar o Brasil para frente", disse.

No entanto, em seguida, Meirelles não descartou sair da pasta no futuro para se candidatar caso haja uma situação favorável e concordância do PSD, seu partido, em apoiá-lo para o pleito. Quando indagado pela reportagem se ele poderia sair da Fazenda somente em abril do ano que vem, quando os ministros candidatos têm de obrigatoriamente se desincompatibilizar caso queiram concorrer nas eleições, e se acertado com o PSD, ele falou: "Aí vamos ver lá na frente."

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, não conta com cargo eletivo nem, ao menos publicamente, tem ambições políticas para 2018. Porém, quando abordado pela reportagem nesta terça, limitou-se a dizer, rindo, que estava "tudo excelente".

Temer vinha planejando realizar uma reforma ministerial, mas decidiu acelerar seus planos depois que, na segunda-feira (13) Bruno Araújo pediu exoneração do Ministério das Cidades por não ter mais apoio do PSDB para continuar no cargo.

Os tucanos vivem há meses um racha interno entre os que defendem o desembarque do governo e os que querem permanecer aliados do Planalto.

A mudança nos comandos das pastas deve ser finalizada até meados de dezembro, segundo a Presidência.

A estimativa é que 17 titulares de pastas serão trocados para participarem do pleito de 2018, segundo Romero Jucá (PMDB-RR). Para o líder, a reforma teve de ser antecipada com a saída de Bruno Araújo porque há ministério vago, mas Temer já avalia como proceder.

"É uma reforma ampla. São 17 ministérios que ficarão vagos no prazo que o presidente determinar, então cabe ao presidente agora começar esse processo e ele vai definir o ritmo das mudanças. É muito importante que esse entendimento possa ser construído com os partidos políticos e a Câmara até para aprovar e agilizar as matérias na Câmara", afirmou.

Ainda de acordo com Jucá, a reforma deve ajudar o governo a aprovar a reforma da Previdência ao levar em consideração a base partidária. Ele disse esperar que as mudanças na Previdência sejam aprovadas na Câmara até o fim do ano e até o início do ano que vem no Senado.

Com a reforma, o governo buscará agradar os partidos da base aliada, como o próprio PMDB, e do centrão, como PP, PR, PSC, Pros, PTB, PSD, PRB, Avante, PSL e Solidariedade. O objetivo é aprovar a reforma da Previdência ainda neste ano na Câmara. O assunto é uma prioridade para a gestão Temer.

Esses partidos também ajudaram a arquivar na Câmara a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente e os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e Eliseu Padilha (Casa Civil).

Nesta segunda, Temer já se encontrou com o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), no gabinete do Planalto. O PP clama para si o Ministério das Cidades. A expectativa é que o presidente continue a promover reuniões para ouvir os insatisfeitos e anote os nomes pleiteados por cada partido.

Últimas notícias Ver mais notícias