"Foi infeliz no que falou, não queria se promover", diz advogado de brasileiro preso na Venezuela

Bárbara Forte
Do BOL, em São Paulo

  • Reprodução/Facebook

    Depois da libertação, Jonatan afirmou, em vídeo, que planejou prisão na Venezuela para divulgar ONG

    Depois da libertação, Jonatan afirmou, em vídeo, que planejou prisão na Venezuela para divulgar ONG

Samuel Siqueira Santana Rodrigues, advogado representante do brasileiro Jonatan Moisés Diniz, 31, que ficou detido por 11 dias na Venezuela acusado de ter ligação com crime organizado, disse que o cliente não teve intenção de se promover ao divulgar vídeo em que aparece dizendo que planejou o ato com o objetivo de ser preso.

"Ele foi infeliz na forma como ele falou, mas não tinha intenção de se promover", afirma Rodrigues. Segundo o defensor, Jonatan sabia que distribuir comida aos necessitados na Venezuela era uma infração e, mesmo assim, assumiu o risco. No Brasil, Jonatan trabalha como ativista da ONG Time to Change the Earth (Hora de Mudar a Terra, em tradução livre), da qual é vice-presidente. 

Leia mais:

"Ele foi sincero, tem um coração muito grande. Foi para lá para ajudar, ele assumiu o risco por uma causa maior", conta o advogado.

"Para salvar crianças"

O relato em que o brasileiro assume que provocou a própria prisão, divulgado em um vídeo na internet, faz críticas à forma como o ocorrido foi divulgado, sempre enaltecendo a sua detenção, e conta os objetivos de sua ida ao país vizinho. "Todos os meios da imprensa vieram me procurar para saber se me torturaram ou tentaram me matar. E todas as mensagens que postei no Facebook ou no Instagram eu foquei sempre em ajudar as crianças. A mídia mais uma vez focou em se eu fiquei pelado na cadeia (...), jamais me perguntaram quantas crianças eu ajudei", afirma o ativista no vídeo que publicou na internet.

Veja o desabafo de Jonatan Diniz

Na publicação, ele diz, ainda, que deixou provas com uma ex-namorada de seu plano original e que enfrentou "pessoas poderosas" ligadas ao governo enquanto ajudava o "maior número de pessoas possível", mas que incitou sua prisão para chamar a atenção e aparecer na televisão: "Foi para vocês prestarem atenção que tem criança morrendo de fome lá".

Repercussão negativa

A Comissão de Direitos Humanos da 15ª Subseção da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Balneário-Camboriú, em Santa Catarina, emitiu uma nota em que revela sentimento de repulsa com relação à manifestação do brasileiro após voltar ao Brasil.

"Mais que desprezível, classificamos essa atitude como egoísta, vaidosa, irresponsável, desnecessária e desrespeitosa com centenas de pessoas dos dois países que, anonimamente, ENVIDARAM esforços para preservar sua integridade física, e obter sua libertação", diz a nota.

Em outro trecho, a comissão diz que ação é inadmissível: "Classificamos como inadmissível que alguém, seja quem for, propositalmente aja no sentido de agravar uma crise diplomática já existente, sem levar em consideração as consequências de seu ato. Não acreditamos que de uma mentira seja possível nascer algo capaz de fazer o bem às pessoas, e mais que isso, não acreditamos que alguém que seja capaz de tamanha irresponsabilidade, tenha condições de cuidar de quem quer que seja". 

A OAB-SC (Ordem dos Advogados de Santa Catarina) também deu parecer a respeito do caso, dizendo que lamenta e que "considera que o ocorrido não condiz com uma forma adequada de protesto e que, de maneira irresponsável, mobilizou o governo brasileiro, por intermédio do Itamaraty, e a Comissão de Direitos Humanos da Subseção da OAB/SC de Balneário Camboriú, além de outras instituições e entidades que atuam na defesa dos Direitos Humanos".

Quer receber notícias de Brasil de graça por mensagem no seu Facebook? Clique AQUI e digite Brasil após acessar o Messenger. É muito simples! 

Últimas notícias Ver mais notícias