Promotoria encontra suíte decorada para visita íntima no "presídio da Lava Jato" no Rio

Marcela Lemos
Colaboração para o UOL, no Rio

  • Divulgação/MP

    Quarto que seria usado para visitas íntimas na cadeia de Benfica, zona norte do Rio

    Quarto que seria usado para visitas íntimas na cadeia de Benfica, zona norte do Rio

Uma inspeção do Ministério Público do Rio de Janeiro feita na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na zona norte do Rio de Janeiro, identificou quatro quartos que seriam utilizados para visitas íntimas de presos. Com piso de porcelanato, as suítes contam com cama de casal, televisão e banheiro.

Em um dos quartos, há até mesmo decoração: um coração pintado em uma das paredes. Os quartos contam ainda com televisor e luz vermelha. As informações, publicadas nesta quarta-feira (7) no jornal "O Dia", foram confirmadas pelo UOL junto ao MP-RJ.

A unidade é onde estava preso o ex-governador Sérgio Cabral (MDB) e onde ainda estão outros presos da Operação Lava Jato no Rio. O MP não informou se os cômodos ficam no mesmo pavilhão onde estão esses detidos.

Na cadeia de Benfica, estão presos secretários da gestão Cabral, como Wilson Carlos (Governo) e Hudson Braga (Obras), além de deputados da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio Janeiro): Edson Albertassi, Jorge Picciani (presidente afastado da Casa) e Paulo Melo, todos do MDB.

Sérgio Cabral deixou Benfica em 18 de janeiro, quando foi transferido para cadeia do Paraná após denúncia de que ele teria sido favorecido por supostas regalias no sistema penitenciário fluminense.

Divulgação/MP
Banheiro da suíte que seria usada para visitas íntimas na cadeia de Benfica


O caso das suítes para visitas íntimas é investigado pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público. Ainda não há informações sobre a data em que as unidades foram construídas.

Procurada, a Seap (Secretaria de Administração Penitenciária) informou apenas que o secretário David Anthony Gonçalves Alves juntamente com o procurador-geral de Justiça José Eduardo Ciotola Gussem concederão entrevista na tarde de hoje.

No ano passado, uma outra ação do Ministério Público encontrou uma "sala de cinema" na mesma cadeia. Cabral e quatro funcionários da Seap foram denunciados.

Em uma sala, foram instalados uma televisão de 65 polegadas e um hometheater com aparelho de blue-ray com aproximadamente 160 filmes. O nome de duas igrejas foi usado para simular uma doação.

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