Ex-namorado confessa assassinato de grávida na Baixada Fluminense e é preso

Lola Ferreira
Colaboração para o UOL, no Rio

  • Reprodução/Facebook

    Katyara Pereira da Silva, assassinada em Belford Roxo, estava grávida

    Katyara Pereira da Silva, assassinada em Belford Roxo, estava grávida

A Polícia Civil prendeu na noite desta segunda-feira (12) Matheus Almeida da Silva, 23, ex-namorado de Katyara Pereira da Silva, 31, que estava grávida de cinco meses e foi morta por asfixia na casa em que morava, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.

Matheus prestou depoimento na sede da Delegacia de Homicídios da região e, segundo a polícia, confessou ser autor do crime, que aconteceu na manhã de segunda-feira. Ele é pai da filha caçula da vítima, de dois anos, e também era pai da criança que Katyara esperava, segundo família e amigos dos dois.

Em depoimento, Matheus disse que não tinha a intenção inicial de assassinar a ex-namorada, mas que a sufocou para que os gritos dela não fossem ouvidos pelos vizinhos.

O homicídio de Katyara só foi percebido por causa do choro da filha caçula, que estava sozinha com a mãe no momento do crime. Segundo a família, a menina disse: "o papai bateu na mamãe".

Além da filha de dois anos, Katyara deixa uma filha mais velha, de 14 anos, que estava com uma prima da vítima na hora do crime e não testemunhou o fato.

A reportagem do UOL não localizou a defesa do suspeito.

Com a confissão de Matheus, Katyara entra para as estatísticas de feminicídio do Estado. Segundo dados do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, 13 mulheres foram mortas em crimes classificados como feminicídio em janeiro e em fevereiro deste ano.

Em 2017, foram 89 homicídios dessa natureza, um aumento de 64% em relação a 2016, quando foram registrados 54 crimes de feminicídio.

Motivação

Letícia Lima, prima de Katyara, diz acreditar que a principal motivação do jovem para o crime foi a gravidez da vítima. Segundo ela, Matheus é casado com outra mulher e recentemente os dois tiveram um filho.

"Eu acho que ela [Katyara] estava atrapalhando a outra relação dele. Eu acredito que o que levou ele a fazer isso foi não lidar com as duas mulheres. O Facebook dela [Katyara] era público, e todo mundo sabia que estava grávida e o filho era dele", disse a jovem.

Após o assassinato, Matheus fugiu e o pai dele foi quem levou Katyara até o hospital, mas ela deu entrada na unidade de saúde já sem vida. Letícia lamenta a morte da prima, que ela diz ter sido sempre "tranquila e batalhadora", mas tinha um relacionamento conturbado com Matheus.

Ela conta que a família de Katyara não gostava da forma como ela era tratada pelo namorado e que reprovaram a reconciliação recente dos dois, que resultou na gravidez.

"Ela sempre foi tranquila, de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Mas ele sempre foi problemático. Nossa família a avisava em relação a isso, mas ela era muito tranquila. Quando engravidou, toda a família ficou chateada dela voltar a viver isso, porque ele estava com outra mulher. A gente dizia que ela não deveria viver esse tipo de coisa", diz a prima.

Natural da Bahia, Katyara morava no Rio havia dez anos. Uma vez por ano, visitava os familiares que continuaram no Nordeste, e recentemente a filha mais velha deixou de morar com a avó na Bahia e passou a morar com ela na Baixada Fluminense.

A família afirma que, além de Matheus, a vítima só teve outro namorado em todo o tempo que morou no Rio. "É muito triste olhar a foto dela e saber que ela se foi numa situação dessas. Mas eu quero acreditar que ele vai pagar pelo que cometeu", diz Lima.

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