Hospital diz que Maluf tem dor forte e não consegue ficar em pé

Luís Adorno
Do UOL, em São Paulo

  • Wagner Pires/Futura Press/Estadão Conteúdo

    Paulo Maluf na saída do IML do DF antes de ir para a Papuda, em dezembro de 2017

    Paulo Maluf na saída do IML do DF antes de ir para a Papuda, em dezembro de 2017

Um boletim médico divulgado pelo hospital Home, de Brasília, na manhã desta quarta-feira (28), afirma que o deputado afastado Paulo Maluf (PP-SP) deu entrada no local às 0h02 de hoje com quadro de dor forte na região lombar que o impede de se manter em posição ereta. Segundo o hospital, não há previsão de alta.

Segundo o boletim, uma ressonância na coluna lombar indicou uma estenose --estreitamento do canal vertebral-- que comprimiu nervos da base da coluna e afetou a perna direita do deputado. Exames complementares serão realizados, segundo o hospital. Para sanar a dor que o deputado sente, estão sendo disponibilizados analgésicos e anti-inflamatórios.

O boletim médico foi assinado por Cícero Dantas Neto, diretor técnico, e Paulo Lobo, coordenador de ortopedia do hospital Home.

À reportagem, a SSP (Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social) do Distrito Federal informou que o parlamentar se queixou de dores nas costas e foi conduzido ao hospital pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

"Inicialmente, por solicitação médica, ele ficará internado por 24 horas para exames", afirmou a secretaria, em nota, diferentemente do hospital. A secretaria foi a responsável por transferir Maluf do presídio da Papuda até o hospital.

Enquanto estiver no hospital, a secretaria da Segurança informou que ele ficará sob escolta de agentes da Sesipe (Subsecretaria do Sistema Penitenciário).

O advogado de Maluf, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, voltou a dizer que a penitenciária da Papuda, onde Maluf cumpre regime fechado, não tem condições de cuidar da saúde do deputado.

"Como é do conhecimento de todos, o quadro de saúde do Dr Paulo é grave, com constante e diário comprometimento, inclusive com permanente risco de óbito. O que cabia à defesa técnica foi feito, agora são os médicos que estarão responsáveis pela saúde", complementou o advogado.

Em nota, Kakay afirmou que a rotina do deputado tem sido de "severas restrições de mobilidade, de dores crônicas massacrantes dia após dia". O atendimento médico no local, segundo o advogado, funciona em dias úteis entre 9h e 16h e "restringe-se a eventualmente aplicar injeções de analgésico para que Maluf suporte a dor."

Pessoas próximas a Maluf disseram ao UOL que, na noite de ontem, ao saber que o ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), não iria analisar antes da Páscoa o pedido da defesa para que o deputado vá para regime domiciliar, Maluf teve uma crise de pânico e chorou.

Desde que foi preso, em dezembro de 2017, a defesa alega que Maluf está com câncer de próstata, o que o deixaria em uma situação vulnerável dentro do sistema carcerário. O deputado tem tentado conseguir na Justiça o direito de cumprir a pena em casa.

No último dia 2 de março, a repórter Mônica Bergamo, da "Folha de S.Paulo", visitou Maluf dentro da prisão e relatou que ele anda com dificuldades e que está com aparência de mais velho. "Eu tive câncer de próstata. Eu sou cardíaco. Tomo 15 remédios por dia", disse o deputado.

Segundo o relato da repórter, Maluf rejeita as quentinhas oferecidas pelo presídio e só come a comida da cantina: pizza, esfirra, cachorro-quente e pamonha. "E tomo Coca-Cola e Fanta o dia inteiro", afirmou.

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