"Tranquilidade", "dentro do esperado" e "não tem volta": veja a reação de políticos ao Datafolha

Do UOL, em São Paulo*

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    Lula, Marina e Bolsonaro aparecem nas primeiras posições do Datafolha

    Lula, Marina e Bolsonaro aparecem nas primeiras posições do Datafolha

Pré-candidatos e partidos evitaram demonstrar comemorações efusivas ou lamentações ao primeiro Datafolha após a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Neste domingo, o instituto divulgou pesquisa de intenção de voto para a eleição presidencial de outubro.

Testado em três dos nove cenários, Lula liderou todos com 30% a 31% das intenções de voto. Segundo colocado nos quadros com o petista, o deputado federal Jair Bolsonaro apareceu em primeiro lugar em todos os outros, variando entre 15% e 17%. Marina Silva ficou atrás dos dois e chegou a empatar tecnicamente com Bolsonaro ao reunir 15% das intenções de voto em um cenário sem Lula.

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A pesquisa Datafolha foi realizada de quarta-feira (11) a sexta-feira (13) com 4.194 entrevistas em 227 municípios, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Confira abaixo a reação de alguns dos principais pré-candidatos (Bolsonaro, o senador Alvaro Dias, do Podemos, e o presidente Michel Temer ainda não se manifestaram):

LULA - 30% A 31%

O PT criticou o fato de o Datafolha ter testado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em apenas três dos nove cenários apresentados na pesquisa. O partido reiterou que, apesar da prisão, Lula continua sendo seu pré-candidato.

"Lula será o nosso candidato aconteça o que acontecer. Por isso os acampamentos das vigílias estão em campanha por Lula livre e nas urnas. Ainda assim, dos nove cenários estudados, o instituto de pesquisas realizou seis deles sem o ex-presidente. A manobra para tentar criar um imaginário em que Lula não esteja no pleito esbarra numa questão fundamental: a preferência popular", disse a legenda em seu site.

BOLSONARO - 15% A 17%

O deputado federal e pré-candidato ao Planalto Jair Bolsonaro (PSL-RJ) disse acreditar ter mais apoio entre os eleitores do que o apontado pelo Datafolha e afirmou não se preocupar com a liderança do ex-presidente Lula nas pesquisas, por achar que o petista será barrado pela Lei da Ficha Limpa.

"Não deixa de ser positivo [o resultado da pesquisa], claro, mas a diferença é maior do que está aí", disse, em entrevista ao Portal da Band.

"Estou focado no meu objetivo de enfrentar qualquer um nessas eleições, mas, pelo ponto de vista da Lei da Ficha Limpa, Lula não é candidato", afirmou Bolsonaro.

MARINA SILVA - 10% A 16%

Em comunicado divulgado em suas redes sociais, a ex-senadora e ex-ministra Marina Silva (Rede-AC) disse receber o resultado do Datafolha com "tranquilidade" e ressaltou que "pesquisa retrata um momento".

A candidata ainda se disse atenta ao "risco de extrema polarização do debate político". "Recolho propostas para o programa que apresentarei aos cidadãos e me posiciono, como tenho feito desde 2010, comprometida com o debate e não com o embate", escreveu.

JOAQUIM BARBOSA - 8 A 10%

A estreia de Joaquim Barbosa em pesquisas Datafolha como filiado ao PSB animou quadros do partido, ainda que o ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) não tenha sido oficializado como pré-candidato pela legenda.

"Acho que o resultado foi aquém do potencial que de fato ele tem. O que acontece com o ministro Joaquim é que muitas pessoas não lembram o nome. Quando você mostra a fotografia, a pessoa lembra", afirmou o presidente do PSB, Carlos Siqueira, ao Broadcast Político, do jornal O Estado de S. Paulo. "Com estes números, com uma semana de filiação, não tem mais volta", avaliou o deputado Julio Delgado.

CIRO GOMES - 5% A 9%

O presidente do PDT, Carlos Lupi, se disse satisfeito com o desempenho apresentado pelo pré-candidato do partido, Ciro Gomes. Ele apontou ao Broadcast Político que uma eventual ausência de Lula na eleição poderá migrar votos para o ex-governador do Ceará.

No entanto, Lupi se disse preocupado com a manutenção dos índices do deputado federal Jair Bolsonaro, que segue na liderança dos cenários sem Lula e em segundo lugar nas simulações com o petista. "Imaginávamos que haveria uma queda de Bolsonaro. Mas hoje eu não sei. Ele está conseguindo se manter. Seu eleitorado acredita que a solução da violência é a pena de morte. É algo muito preocupante".

GERALDO ALCKMIN - 6% A 8%

Em comunicado enviado ao Broadcast Político, Geraldo Alckmin (PSDB-SP) se disse satisfeito com o desempenho apresentado "neste início de pré-campanha".

Entretanto, o comunicado ressaltou que a pesquisa precisa ser vista com cautela "neste quadro em que candidaturas seguras misturam-se a meras possibilidades, criando cenários e números de relevância questionável". "Pesquisas são retratos do momento e o momento é de completa indefinição", disse.

MANUELA D'ÁVILA - 2% A 3%

Pré-candidata pelo PCdoB, Manuela D'Ávila afirmou em seu perfil numa rede social que via com alegria o resultado, devido à pouca estrutura de sua pré-campanha.

"Chegar em abril com 3% de intenções de voto, com uma pré-campanha sem estrutura, com a comunicação via internet no estilo Glauber Rocha (um celular na  mão e um mote de ideias para o Brasil na cabeça) é motivo de muita alegria", disse.

HENRIQUE MEIRELLES - 1%

Disputando com o presidente Michel Temer a vaga de pré-candidato do partido ao Planalto pelo MDB, Henrique Meirelles apareceu com 1% dos cenários em que foi testado no Datafolha deste domingo, mas disse que o resultado estava "dentro do esperado".

"Os resultados estão dentro do esperado. Nesta fase da pré-campanha, os números tendem a não sofrer grandes alterações, com exceção daqueles que estão enfrentando acusações e problemas", disse Meirelles. "No meu caso, o mais importante agora são as pesquisas qualitativas que mostram que eleitores que têm acesso ao meu histórico reagem positivamente em sua grande maioria", acrescentou o ex-ministro.

RODRIGO MAIA - 1%

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, afirmou que os números do Datafolha deste domingo não o surpreenderam. Ele disse que a indefinição sobre a eleição aumenta com a possibilidade de Lula não se candidatar, e lembrou que o noticiário das últimas semanas ficou centrado na situação jurídica do ex-presidente.

"A agenda das últimas três ou quatro semanas foi Lula e seu entorno. E o prazo de filiações (que acabou em 7 de abril) parou tudo", atestou.

FLAVIO ROCHA - 1%

O empresário e pré-candidato à Presidência pelo PRB, Flávio Rocha, diz acreditar que o alto patamar de eleitores que declararam o voto em branco ou nulo abre uma lacuna para a expansão de seu projeto de campanha. Em entrevista ao Broadcast Político, ele afirmou que a conquista deste eleitorado ainda indeciso o levará até o segundo turno.

"Isso nos deixa muito confiantes. Este grande porcentual de eleitores que não sabem onde votar significa que eles estão a procura de um projeto que, para eles, ainda não existe. Mas nós temos esse projeto e faremos com que ele seja conhecido através de um vasto esforço de comunicação", diz Rocha.

GUILHERME BOULOS - 0% A 1%

O pré-candidato pelo PSOL e líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MSTS), Guilherme Boulos, afirmou ao Broadcast Político que o pleito deste ano "será o mais imprevisível desde as eleições gerais de 1989", disse.

Em nota, o psolista afirmou que "o alto índice de pessoas que se declaram indecisas ou que votarão em branco, ou anularão seu voto, não permite qualquer prognóstico seguro".

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