Mendonça de Barros: oposição entre agricultura e indústria não faz mais sentido

Marcelo Osakabe e Adriana Ferraz
São Paulo

Responsáveis pelas propostas do setor agrícola no programa de governo da campanha do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) à presidência da República, os economistas José Roberto Mendonça de Barros e Alexandre Mendonça de Barros ressaltaram a competitividade dos produtores brasileiros na economia mundial e disseram que os demais segmentos podem fazer o mesmo caminho.

"A separação entre agricultura, indústria e serviços não faz mais sentido. Em nenhum lugar isso está mais evidente nessa cadeia cada vez mais longa do agronegócio, que virou competitivo por conta da abertura", disse José Roberto. Segundo ele, o setor se liga cada vez mais à indústria e isto pode gerar ganhos de competitividade.

Um exemplo seria o da produção comercial de nanocelulose, que poderia fazer o País competitivo em produtos que hoje são feitos a partir do refino do petróleo, setor em que o gás natural mais caro do que outras regiões torna o Brasil pouco competitivo.

"A tecnologia permite aumento de produtividade. Em 1990, o Brasil tinha saldo comercial agrícola de US$ 7 bilhões. No ano passado, tivemos superávit de US$ 70 bilhões, o maior do mundo", disse Alexandre Mendonça de Barros, acrescentando que esse desenvolvimento repercute também nos indicadores sociais. "Fizemos a conta com a Pnad que saiu há três semanas e os Estados com melhor distribuição de renda são agrícolas."

Alexandre afirmou ainda que o plano de Alckmin deve dar consistência da política macroeconômica com as demandas setoriais. "A agricultura precisa de investimentos que estão além da porteira, como em infraestrutura e digitalização. Então se tivermos um programa que tenha consistência macro e que mantenha a taxa de juro baixa - porque a agricultura é um setor intensivo em capital -, não tenho dúvida de que teremos um crescimento muito forte".

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