Itália reage às críticas da França por não receber navio "Aquarius"

Roma, 13 jun (EFE).- O ministro das Relações Exteriores da Itália, Enzo Moavero, pediu nesta quarta-feira que o governo da França tome medidas para remediar as críticas feitas ontem à recusa do governo italiano de receber o navio "Aquarius", com 629 imigrantes a bordo, acolhido pela Espanha.

Moavero convocou o embaixador da França em Roma, Christian Masset, para uma reunião e expressou o desconforto do governo local com as declarações do presidente francês, Emmanuel Macron, que criticou o "cinismo" e a "irresponsabilidade" da Itália ao se negar a receber o "Aquarius".

"O ministro declarou que o governo italiano espera que as autoridades francesas empreendam rapidamente as iniciativas idôneas para remediar a situação que surgiu", disse o ministério em nota.

"O governo italiano considera inaceitáveis as palavras usadas nas declarações públicas realizadas ontem em Paris, inclusive em nota oficial, sobre a situação do navio Aquarius", completou o ministério no comunicado.

O chanceler da Itália ressaltou ao embaixador francês que as declarações comprometem as relações entre os dois países e alegou que esse tipo de afirmação não é justificável.

"Entendemos que um país amigo e aliado possa estar em desacordo com as posições de outro países, mas essas desavenças devem ser expressadas de modo e forma coerentes", afirmou o chanceler no texto.

A crise, no entanto, já teve outras repercussões. O ministro de Economia da Itália, Giovanni Tria, cancelou a reunião que tinha programada para hoje com o ministro de Economia da França, Bruno Le Maire, como resposta às declarações de Macron.

Além disso, o vice-presidente do governo e ministro do Interior, Matteo Salvini, afirmou que entenderia se o primeiro-ministro da Itália, Guiseppe Conte, cancelasse a reunião que tem marcada com Macron na próxima sexta-feira.

"Conte tem legitimidade para não ir à França. Diante de uma situação como essa, há razões mais do que fundamentadas para tomar essa decisão", disse Salvini, líder da Liga Norte.

Ontem, Conte acusou a França de ser "hipócrita" ao tentar dar lições na Itália sobre a crise migratória na Europa.

Depois da troca de acusações, a diplomacia francesa tentou acalmar os ânimos e ressaltou a necessidade de dialogar com a Itália em temas como a imigração.

O Ministério de Relações Exteriores da França ressaltou que é essencial para os dois países chegar rapidamente a um acordo sobre a reforma do regime de acolhimento de refugiados dentro da União Europeia (UE), reforçar as ações nos países de origem e trânsito de imigrantes, e ampliar a proteção das fronteiras do bloco.

Esses são os pontos que Macron quer discutir com Conte no encontro marcado para sexta-feira, caso ele não seja cancelado.

A porta-voz da Chancelaria francesa não quis comentar a convocação do embaixador do país em Roma para explicar as acusações de "cinismo" feitas por Macron. Sobre o encontro cancelado entre os ministros de Economia dos dois países, a França lamentou a decisão, mas afirmou que os dois conversaram por telefone e que Tria ira se reunir com Le Maire em Paris nos "próximos dias".

A polêmica começou no fim de semana, após a Itália negar o desembarque de 629 imigrantes que estavam a bordo do barco "Aquarius", da ONG francesa SOS Méditerranéé, resgatados no Mediterrâneo Central. Malta também recusou receber a embarcação, que finalmente foi direcionada para a Espanha.

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