Forças Armadas voltam a 11 favelas do Rio após fortalecimento do crime organizado

Luis Kawaguti
Do UOL, no Rio

  • Comando Conjunto / CML

    Militares do Exército participam de operação em favela da zona oeste do Rio

    Militares do Exército participam de operação em favela da zona oeste do Rio

As Forças Armadas e a Polícia Militar realizam na tarde desta quinta-feira (14) uma operação de grandes proporções em 11 favelas na zona oeste do Rio de Janeiro após o fortalecimento do crime organizado em regiões que já haviam sido ocupadas pelas forças de segurança.

A ação ocorre nas favelas Curral das Éguas, Fumacê, Muquiço, Palmeirinha, Batan, Minha Deusa, Parque das Nogueiras, Vila Vintém, Promorar I, Promorar II e Triângulo. Elas abrangem área habitada por cerca de 1,5 milhão de pessoas.

A área havia sido ocupada pelas Forças Armadas pela primeira vez durante a intervenção federal no dia 1º de maio. O objetivo na ocasião era reduzir o número de roubos a pedestres e de veículos. Os militares do Exército que participaram da ação saíram da Vila Militar, complexo de bases do Exército situado em Deodoro (zona oeste do Rio), região dessas favelas.

A ideia dos interventores era usar a Vila Militar para irradiar segurança para as favelas próximas. Segundo o Comando Conjunto da intervenção, desde a operação de 1º de maio, patrulhas militares começaram a partir de forma regular dessas bases para fazer rondas nas 11 favelas.

Contudo, informações de inteligência teriam detectado um fortalecimento da criminalidade na região. Bandidos voltaram a exibir armamentos de forma ostensiva e a levantar barricadas para obstruir ruas.

A operação de hoje é uma forma de tentar voltar a enfraquecer o crime organizado e evitar que esse tipo de ação volte a acontecer. A previsão de duração da operação iniciada nesta quinta-feira não foi divulgada pelo Comando Conjunto.

Devem ser realizadas remoção de barricadas e revistas em veículos e pedestres. Policiais militares e integrantes do Exército estão usando blindados e helicópteros durante a operação.

Até o início da manhã de sexta-feira (15) quatro adultos e um adolescente haviam sido detidos e cerca de 20 máquinas irregulares caça-níquel apreendidas. Duas barricadas também foram destruídas.

No Batan, UPP virou companhia da PM

Na favela do Batan, a antiga UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) foi transformada em uma companhia da Polícia Militar ligada ao 14º Batalhão, que é a unidade da corporação responsável pela área. A mudança faz parte de um processo iniciado pelos interventores para fazer mudanças na estrutura de UPPs do Rio --algumas serão transformadas em companhias integradas a batalhões, enquanto outras mudarão de lugar ou serão desativadas.

Esta é a 52ª operação ostensiva envolvendo integrantes das Forças Armadas desde o início da intervenção federal no Rio. Ela tem o amparo legal de um decreto de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) que permite o uso excepcional de militares em ações de segurança pública dentro das fronteiras do país.

Na quarta-feira (13), o interventor Walter Souza Braga Netto afirmou que ações desse tipo são consideradas emergenciais e ocorrem em paralelo a mudanças de bastidores que visam treinar, reequipar e melhorar a gestão das polícias Militar e Civil.

As grandes operações em favelas devem continuar a ser realizadas no máximo até o fim de setembro, segundo cronograma apresentado pelo interventor. Depois disso, as Forças Armadas devem se voltar para ações de garantia da realização das eleições gerais. Para fazer isso, devem contar com uma legislação específica, segundo o interventor.

Críticos afirmam que esse tipo de ação não resolve o problema da criminalidade organizada, pois sempre que as forças de segurança deixam as favelas, os bandidos voltam a atuar.

Já defensores desse tipo de ação dizem que é necessário entrar periodicamente nas favelas conflagradas para tentar prender suspeitos, apreender armas e derrubar barricadas a fim de evitar a consolidação do crime organizado em determinada região.

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