Após vaivém, futura ministra diz acreditar que Funai continue com Justiça

Luciana Amaral
Do UOL, em Brasília

  • Rafael Carvalho/Gabinete de Transição

    8.nov.2018 - Presidente eleito Jair Bolsonaro e futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina

    8.nov.2018 - Presidente eleito Jair Bolsonaro e futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina

A futura ministra da Agricultura, deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS), afirmou nesta quinta-feira (6) acreditar que a Funai (Fundação Nacional do índio) continuará subordinada ao Ministério da Justiça, como ocorre atualmente. A indefinição sobre o destino do órgão, porém continua -- o ministro Onyx Lorenzoni e o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), deram versões distintas sobre o assunto.

"Para a [pasta da] Agricultura é difícil. Acho que vai ficar tudo igual, mas ainda não está decidido. [...] Houve uma discussão sobre o assunto, mas não batemos o martelo. Ficamos de conversar mais à tarde", falou.

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Na segunda-feira, o futuro ministro-chefe da Casa Civil no governo de Bolsonaro, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), afirmou que a Funai poderia ficar subordinada ao Ministério da Agricultura. 

"A Funai precisa de um novo direcionamento, uma nova forma de relacionamento. O Brasil, há muitos anos, cuida de seus índios através de ONGs, que nem sempre fazem um trabalho mais adequado. Então a visão que o presidente tem é no sentido de dar condições àqueles indígenas que quiserem, aqueles grupamentos ou aquelas pessoas, possam buscar outra condição", declarou Onyx.

Já Bolsonaro contradisse seu braço direito. O presidente eleito declarou ontem que a Funai "vai para algum lugar", mas provavelmente não para a Agricultura.

"Vai para algum lugar, a Funai, onde o índio receberá o tratamento que ele merece. O índio quer se integrar à sociedade, ele quer aquilo que nós queremos, energia elétrica, médico, dentista, internet, jogar um futebol, ele quer aquilo que nós queremos", disse Bolsonaro.

Indagado se a Funai poderia ficar sob supervisão do futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, o presidente eleito afirmou que "Moro está sobrecarregado".

Também nesta quarta-feira, Moro disse que apesar de estar com futuro indefinido, "pode até ser que fique na Justiça", mas não quis dar sua opinião sobre o assunto.

Índios querem encontrar Bolsonaro

Pela manhã, um grupo de cerca de 30 indígenas foi ao CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) tentar uma audiência com o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). Há a possibilidade de representantes serem recebidos pelo futuro ministro da Justiça, Sergio Moro. Eles protocolaram um documento com reivindicações, como a continuidade da demarcação de terras, e reclamaram de declarações dadas por Bolsonaro relativas a indígenas.

Questionada se receberia os indígenas também, Tereza Cristina, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária no Congresso Nacional, respondeu que o grupo não quer falar com ela.

Funai vai para algum lugar, diz Bolsonaro

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