Palocci mente para manter vantagens de delação, diz defesa de Lula

Guilherme Mazieiro
Do UOL, em São Paulo

  • Captura de tela/Justiça Federal

    14.nov.2018 - Lula é interrogado em Curutiba no caso do sítio de Atibaia

    14.nov.2018 - Lula é interrogado em Curutiba no caso do sítio de Atibaia

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou o ex-ministro Antonio Palocci de fazer declarações "mentirosas" e "sem provas" que "não poderão ser confirmadas por qualquer testemunha". A nota é assinada pelo advogado do petista, Cristiano Zanin Martins, e rebate declarações dadas por Palocci à Justiça Federal nesta quinta-feira (6).

O ex-ministro afirmou que Lula acertou o pagamento propina para seu filho Luís Cláudio Lula da Silva durante negociações de uma medida provisória para beneficiar o setor automobilístico.

A defesa de Lula e Luis Cláudio disse que Palocci "não é uma testemunha --que fala com isenção-- mas alguém interessado em manter as relevantes vantagens que obteve em sua delação". Zanin ainda declarou que o ex-ministro acusou Lula "sem provas" em delação premiada para se beneficiar.

A nota também diz que ao ser confrontado pela defesa, Palocci confirmou que "recebeu benefícios de redução de pena e também patrimoniais com sua delação" e que foi advertido de que caso não confirme as acusações poderá perder os benefícios.

Durante depoimento nesta quinta-feira, Palocci disse que tomou conhecimento do esquema em conversa com Lula. O ex-ministro afirmou ter conversado com o ex-presidente após ser procurado por Luís Cláudio, entre o final de 2013 e o começo de 2014.

A defesa de Lula rebate e diz que "mais uma vez o ex-ministro recorre a narrativas que envolvem conversas isoladas com Lula" e que não conseguirá nenhuma testemunha para confirmar o que disse.

A defesa de Lula destacou ainda que a acusação foi feita sem "qualquer relação" com o processo, com "o nítido objetivo de atacar a honra e reputação do ex-presidente Lula e seu filho Luis Claudio".

Palocci prestou depoimento como testemunha de acusação, convocado pelo Ministério Público Federal, na ação que investiga a aprovação da MP (Medida Provisória), em 2009. Neste processo, Lula é denunciado por corrupção passiva.

O pagamento das vantagens indevidas, citado por Palocci, no entanto, faz referência a outra MP, editada em 2013.

O ex-ministro da Casa Civil do primeiro governo Lula (2003) Antonio Palocci foi homem forte. Ele deixou a carceragem da Polícia Federal na semana passada e cumpre prisão domiciliar. 

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