Protesto-surpresa vai de nudismo a 'poesia'

LAURA CAPRIGLIONE
ENVIADA AO RIO


Durou 61 segundos o protesto poético que o médico anarquista Alexandre Carvalho, 29, apelido Atchu (como um espirro) fez, durante debate sobre prosperidade sustentável, ontem na Rio+20.

Integrante do Ocupa Rio, ele surgiu com uma máquina de escrever, quando todos na plateia portavam laptops, tablets e smartphones. "Vejo certa poesia nesses objetos obsoletos", disse.

Jorge Araújo/Folhapress
O ativista Alexandre Carvalho, do Ocupa Rio, é posto para fora de sala do Riocentro na noite de ontem
O ativista Alexandre Carvalho, do Ocupa Rio, é posto para fora de sala do Riocentro na noite de ontem


A plateia e a mesa ficaram estateladas quando Carvalho levantou-se, tléc, tléc no teclado da Olivetti portátil.

"Nosso mundo está sendo destruído", disse, em inglês. "Os jovens estão revoltados porque vocês estão restringindo o nosso futuro, do meu filho, dos meus netos."

A seguir, uma negra do bairro novaiorquino do Harlem, "Queen Mother", codinome de Delois Blakely, da New Future Foundation, vestida em trajes africanos, tomou Carvalho pela cintura e retirou-o do recinto. "Queen Mother", delegada à Rio+20, foi quem o colocara na sala. Os seguranças conduziram a dupla para fora.

PELADOS

O Ocupa Rio faz intervenções-surpresa. Na quarta, participou da Marcha dos Povos. Em número pequeno (uns 50 militantes), apareceu graças a uma performance nudista que protagonizou.

Segundo Carvalho, "ninguém aguenta mais aquela gritaria das passeatas". Tirar a roupa, explicou, "foi a forma de chamar atenção; e funcionou!", comemorou.

As influências ideológicas do grupo são os franceses Michel Foucault (1926-1984) e Jean Baudrillard (1929-2007). "É inspiradora a análise do Baudrillard sobre a 'agonia do poder', que sempre tem a característica narcisista de atrair mais e mais poder para si próprio e excluir, excluir, excluir".

O Ocupa Rio promete novas intervenções hoje, dia de encerramento da Rio+20.

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