Dê sobrevida a bens reutilizáveis por meio do consumo colaborativo

Daniel Santos
do BOL, em São Paulo

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    'O que é meu é seu': o consumo colaborativo forma consumidores sustentáveis

    'O que é meu é seu': o consumo colaborativo forma consumidores sustentáveis

Já imaginou ter acesso a bens de consumo sem precisar comprá-los? Esta é a ideia do consumo colaborativo, prática que consiste em trocar, alugar e compartilhar bens em escala global. Além de permitir essas possibilidades, a nova tendência ainda forma consumidores conscientes com o meio ambiente.

Grande parte das transações acontece no território virtual. Sites e redes sociais reúnem pessoas que pretendem adquirir ou se "livrar" de objetos, que passam a atender a outras necessidades. O esquema é simples e ágil. O usuário faz o anúncio do produto ou serviço e logo recebe uma contraproposta. E vale tudo, desde a troca de uma câmera fotográfica por um celular, o empréstimo de um livro, aluguel de brinquedos ou até mesmo de carro ou bicicleta – neste caso, pagando por um valor quase irrisório, apenas pelo período que vai utilizar.

Pautada no pensamento "o que é meu é seu", a alternativa mercantil surgiu nos Estados Unidos, entre 2008 e 2009, impulsionada pela crise americana. Para o engenheiro Guilherme Brammer, precursor da nova tendência no Brasil e criador do site "DescolaAí", o consumo colaborativo não é uma prática tão moderna assim. "Lembro da minha avó com seus vizinhos, aqui em São Paulo, sempre trocando coisas, emprestando utensílios, fazendo "vaquinha" para comprar algo legal para que todos da rua pudessem usufruir. Ela viveu em uma época pós-guerra, em que a visão de escassez era muito presente. E isso foi há 30 anos", disse Brammer.

"Nos últimos 5 anos, estamos vivendo uma retomada da visão dos meus avós. A qualidade de vida passa a ser um fator totalmente relevante para nós. A sensação de escassez bate à nossa porta novamente. Escolas começam a ensinar educação ambiental, explicar o aquecimento global, consumo consciente", completou o executivo.

Dicas para quem quer aderir ao consumo colaborativo
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Fernanda Athayde, idealizadora do "Dois Camelos", aplicativo para Facebook que atualmente conta com 43.764 usuários cadastrados e 4.743 ofertas, apresenta a principal vantagem do consumo colaborativo. "Em primeiro lugar, à medida que um produto passa a ser utilizado por mais pessoas, surgem vantagens para o meio ambiente. A fabricação de produtos em escala menor significa menos pressão sobre as matérias-primas naturais, sobre o consumo de energia. Um objeto amplamente utilizado chegará mais tarde ao lixo, ou seja, menos resíduos serão gerados", disse Athayde.

Além de levantar a bandeira da sustentabilidade, o consumo colaborativo resgata a importância da comunidade, a influência das redes sociais e a interação entre pessoas.

Consumidor consciente 

O professor e ambientalista Roberto Wagner Lourenço, da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho), explica a ligação e o efeito do consumo colaborativo sobre o meio ambiente. Ele diz que a nova prática comercial "é uma importante forma de se empregar os já conceituados atributos ambientais da teoria dos três "erres" – redução de consumo de resíduos, reutilização dos produtos e reciclagem".  Segundo Lourenço, a prática do consumo colaborativo pode constituir novos valores e formar uma sociedade livre do consumo exploratório e mais voltada à cidadania ambiental.

Compartilhamento justo e responsável

No Brasil, a modalidade ainda não é tão popular como nos Estados Unidos ou na Europa. Porém as plataformas de intercâmbio já oferecem um número considerável de ofertas. A assessora técnica do Procon-SP (Programa de Orientação e Proteção ao Consumidor de São Paulo), Edila Moquedace, chama atenção para a relação que deve existir entre consumidor e fornecedor. Ela diz que as informações do produto anunciado devem ser claras. E, além disso, o compartilhador deve dar oportunidade para o cliente testar o produto ou serviço. Edila também explica que os intermediários devem atestar a credibilidade do ofertante, para que a troca ou o serviço sejam realizados de forma justa e responsável. Em caso de dúvida, vale procurar o Procon da cidade.

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