Mais de 400 espécies entram para lista de espécies em risco de extinção no mundo

Em Hyderabad, na Índia

Cerca de 400 espécies animais e vegetais foram incorporadas à lista das espécies em risco de extinção revelada nesta quarta-feira (17) em Hyderabad, na Índia, onde ocorre a 11ª Conferência das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica, a COP11 - o evento entrou em sua reta final com a presença de mais de 70 ministros nesta semana.

"Não há uma maneira única de medir a decadência da biodiversidade, é complexo, mas a 'Lista Vermelha' é a melhor medida de que dispomos", ressaltou Jane Smart, diretora mundial do Grupo de Conservação da Biodiversidade da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN, na sigla em inglês).

A atualização deste registro de referência inclui 65.518 espécies, das quais cerca de um terço (20.219) estão em perigo de extinção -  sendo 4.088 espécies em risco crítico de extinção, 5.919 em risco e 10.212 vulneráveis.

Desde a a última versão apresentada em junho, durante a cúpula Rio+20, mais de 400 vegetais e animais foram acrescentados à lista das espécies ameaçadas. Além disso, dois invertebrados integraram a categoria das espécies consideradas extintas: uma barata das Seychelles e uma espécie de caramujo de água doce.

Madagascar

Os especialistas da UICN também insistiram perante a imprensa sobre a "aterradora" situação das palmeiras de Madagascar, na África, um dos locais mais ricos do mundo em termos de biodiversidade. 

A ilha conta com 192 espécies de palmeiras únicas no mundo, das quais mais de 80% estão em risco de extinção. Algumas comunidades, entre elas as mais pobres, dependem destas palmeiras para obter alimentos e materiais de construção. Este desaparecimento deve-se, principalmente, à limpeza das terras para a agricultura e para a exploração das florestas.

A Tahina, ou "palmeira suicida", é considerada em "risco crítico de extinção", o estado mais elevado antes que seu desaparecimento seja constatado: existem apenas 30 exemplares desta espécie de palmeiras gigantes que podem atingir os 18 metros de altura.

Outro estudo publicado na última segunda-feira (15) ressaltava que os lêmures de Madagascar figuram entre os primatas mais ameaçados do planeta, devido à destruição de seu habitat e à caça. "Madagascar é uma região de uma prioridade absoluta" para a biodiversidade, insistiu Russell Mittermeier, especialista da ilha e presidente da ONG Conservation International.

COP11

Este alerta da UICN ocorre quando mais de 180 países estão reunidos em Hyderabad para conferência da ONU sobre a biodiversidade, que tenta frear o desaparecimento cada vez mais rápido das espécies.

As negociações, iniciadas no dia 8 de outubro em nível técnico, continuam a partir desta quarta-feira (17) durante os três últimos dias da COP11 em nível governamental, com mais de 70 ministros presentes no sul da Índia. As discussões fracassam, principalmente, ao chegar à questão dos compromissos financeiros que podem ser tomados para alcançar os 20 objetivos para 2020, que foram fixados em Nagoya, no Japão, em 2010.

Especialistas encarregados de aconselhar os negociadores contabilizaram estas necessidades entre os US$ 150 bilhões e os US$ 440 bilhões (cerca de R$ 305 bilhões a R$ 890 bilhões) por ano, explicou hoje o economista Pavan Sukhdev, autor de um relatório sobre o valor econômico dos serviços proporcionados pela natureza. 

Os financiamentos públicos e de patrocínio a favor da biodiversidade são estimados atualmente em cerca de US$ 10 bilhões por ano (aproximadamente R$ 20,3 bilhões).

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