Corais podem desaparecer até 2100, diz estudo

Do UOL, em São Paulo

  • Louis Wray / Creative Commons

    Oceanógrafos acusaram o aquecimento das águas, acidificação e poluição pelo branqueamento dos corais da Grande Barreira de Corais da Austrália

    Oceanógrafos acusaram o aquecimento das águas, acidificação e poluição pelo branqueamento dos corais da Grande Barreira de Corais da Austrália

Todas as barreiras de coral do mundo estarão morrendo em 2100 se as taxas de emissão de carbono continuarem como as atuais, concluiu um estudo publicado na Science. O único jeito de preservar seu habitat, segundo os pesquisadores que analisaram os modelos climáticos, seria cortar as emissões o mais rápido possível. Seria necessário ainda remover o dióxido de carbono da atmosfera, com o plantio de árvores ou uso de máquinas. A previsão foi feita para seis mil recifes, o que representa 2/3 do total.

Os corais de mar aberto já estão sob ataque da acidificação dos oceanos, do aquecimento das águas e da poluição. As emissões de  carbono já reduziram o pH dos oceanos em 0,1, o que já ameaça os corais. Na última extinção em massa da história, a acidificação das águas provocou morte das espécies, mas não causou a extinção total.

Para prever como a acidificação afetaria os recifes no futuro, cientistas do Instituto Carnegie para a Ciência, em Palo Alto, Califórnia, analisaram os resultados de simulações de computador realizadas por 13 equipes de todo o mundo. O modelo, conhecido como "bioquímico ativo", inclui simulações em como a química dos oceanos irá interagir com a atmosfera com altos níveis de dióxido de carbono.

Os corais fazem suas conchas com o mineral de carbonato dissolvido conhecido como aragonita. Mas, como a emissão de dióxido de carbono acidifica o oceano, reações químicas mudam a extensão em que o carbonato fica disponível na água.

Em uma revisão do estudo no encontro de primavera da União Americana da Geofísica, o autor principal do estudo, Ken Caldeira, mostrou como a quantidade de carbono emitida nas próximas décadas teria grande impacto nos corais. Em uma trajetória de baixas taxas de carbono, na qual há queda das emissões e o carbono é removido do ar, entre 77% e 87% dos recifes analisados estariam na zona de segurança.

"Se continuarmos na trajetória atual de emissões nossos recifes estarão tostados", disse Caldeira. A saturação da água acabaria com os corais. "Neste cenário, a questão seria apenas de quando eles vão morrer".

Últimas notícias Ver mais notícias