Peixe de 370 milhões de anos tem precursor de par de membros humanos

Do UOL, em São Paulo

Fóssil de peixe incomum, com um par de barbatanas atrás do ânus,  seria um percursos dos pares de pernas e braços dos humanos, dizem pesquisadores da Universidade de Manchester, na Inglaterra.

Robert Sansom, da Faculdade de Ciências da Vida, identificou o par de barbatanas no Euphanerops, um peixe sem mandíbula que habitou os mares há cerca de 370 milhões de anos. A descoberta faz do peixe um dos primeiros vertebrados a desenvolver pares, um de cada lado do corpo.

O posicionamento das barbatanas é extremamente raro. "O Euphanerops é único porque a sua barbatana anal é emparelhada, o que significa que há uma em cada lado do peixe. Até agora barbatanas anais só foram vistas em peixes com mandíbula e elas não são pareadas, tanto em peixes extintos quanto modernos. E a idade do Euphanerops é importante, pois remonta ao tempo de uma profunda divisão evolutiva entre peixes com e sem mandíbula, as duas principais divisões de vertebrados de hoje. Assim, indicando uma etapa importante na evolução dos pares.", diz Sansom.

O pesquisador afirma que ainda não sabem por que as barbatanas estão atrás do ânus, nem qual vantagem elas poderiam ter fornecido. No entanto, segundo ele, elas mostram que nossos ancestrais vertebrados tentaram muitas formas diferentes de corpo antes de chegar a dois braços e duas pernas. Se não tivessem feito isso, então nossos corpos teriam uma aparência muito diferente! "

O estudo é prosseguimento de outro de 2009 sobre a evolução de antigos vertebrados e preservação de fósseis que ele fez com colegas da Universidade de Leicester. As descobertas foram publicadas no Royal Society's journal Biology Letters.   

"Este par de barbatanas corrobora a ideia de que houve degraus no desenvolvimento e evolução experimental em certos peixes. Depois do período Devoniano e a extinção de várias espécies, os vertebrados com mandíbula tiveram poucas variações da fórmula de pares - pares pélvicos, mas não pareados no dorso ou anal. A descoberta desta condição anatômica irá ajudar a entender a época e sequência dos eventos que originaram e diversificaram os apêndices dos vertebrados."

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