Pesquisadores descobrem duas novas espécies de aracnídeos no Nordeste

Do Rio de Janeiro

  • Santos AJ, Ferreira RL, Buzatto BA/Plos One

    Rowlandius potiguar macho registrado em Felipe Guerra (RN). O pedipalpo alongado, característico do animal, é indicado pela seta

    Rowlandius potiguar macho registrado em Felipe Guerra (RN). O pedipalpo alongado, característico do animal, é indicado pela seta

Um grupo de pesquisadores brasileiros descobriu duas novas espécies de aracnídeos escavadores no Nordeste do país e explicou o feito em artigo publicado nesta semana no periódico científico "Plos One".

A descoberta eleva a quatro o número de aracnídeos escavadores até agora descritos no Brasil e a 25 os conhecidos em toda a América do Sul, disse nesta quarta-feira à Agência Efe o biólogo Adalberto José dos Santos, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e um dos responsáveis pelo trabalho.

Os animais, que pertencem ao grupo chamado de Schivomida, parentes dos escorpiões, aranhas e carrapatos, foram encontrados em cavernas úmidas de ecossistemas áridos da Região Nordeste.

A primeira espécie, encontrada no Parque Nacional Ubajara, no Ceará, recebeu o nome de Rowlandius ubajara. Os animais foram encontrados em regiões de cavernas em uma área remanescente de mata atlântica entre a caatinga.

Já a outra espécie, descoberta em uma região de caatinga no Rio Grande do Norte, recebeu o nome de Rowlandius potiguar.

Segundo Santos, estes aracnídeos se alimentam de sementes depositadas nas cavernas e de outros pequenos insetos atraídos pelas fezes dos morcegos que habitam as cavernas e que capturam com um par especial de patas.

"Embora sejam de cavernas, há evidências que uma das duas espécies pode ser encontrada fora de cavernas e poucos indícios que estejam exclusivamente adaptados à vida na escuridão", afirmou o biólogo.

Os Schivomida, com cerca de 240 espécies descritas em sua maioria em regiões tropicais do México e do Caribe, são uma ordem de aracnídeos que têm entre dois e cinco milímetros de comprimento e, justamente por conta de seu tamanho, são raros e pouco estudados pelos cientistas.

As duas novas espécies de aracnídeos têm o que os pesquisadores chamam de falso olho, também comum em outros animais do grupo Schivomida. Eles possuem uma membrana no lugar dos olhos e acredita-se que os animais se orientem, não pela visão, que provavelmente é ruim, mas por outros sensores.

"As novas espécies foram descritas a partir de características microscópicas de seus genitais, que os diferencia de outros animais do mesmo gênero", explicou Santos.

De acordo com o biólogo, a descrição acrescenta componentes até agora desconhecidos à já rica biodiversidade brasileira e mostra o país como habitat de espécies que são mais comuns no Caribe e em áreas tropicais da América Central e do Norte.

As novas espécies foram descritas em artigo assinado por Santos, que é especialista em aracnídeos; por Rodrigo Lopes Ferreira, pesquisador da Universidade Federal de Lavras e que colheu as espécies; e por Bruno Alves Buzatto, que é especialista em variações morfológica particulares entre artrópodes machos.

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