Você lê os rótulos dos alimentos? Especialistas explicam a importância deste hábito

Diana Carvalho
Do BOL, em São Paulo

Você costuma ler as informações que constam nas embalagens dos alimentos? Para algumas pessoas, a quantidade de sódio, de açúcar e outros itens da tabela nutricional passa despercebida, justamente pela dificuldade em entender estas nomenclaturas. Segundo uma pesquisa realizada com 330 pessoas pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC), em São Paulo, 63% dos entrevistados não lê os rótulos e, dos que têm o hábito de ler, mais de 70% não conhece a lista de ingredientes. Apenas 23% destes consumidores compreende o que lê.

"A tabela nutricional é uma fonte de informação importante. É preciso educar a população para fazer uma leitura eficaz", comenta o cardiologista e nutrólogo do IDPC, Daniel Magnoni, que esteve à frente da pesquisa.

O especialista explica que cada grupo de nutriente tem diferentes nomes e subgrupos, sendo comum ter dificuldades para entender o que está escrito na embalagem: "O termo caloria, por exemplo, aparece em qualquer rótulo e é a energia que o nosso corpo utiliza que vem dos alimentos. As calorias são calculadas a partir da quantidade de gorduras, proteínas e carboidratos presentes nos produtos".
 
O estudo ressalta que, para aqueles que leem e compreendem os rótulos, a lista de ingredientes contribui com informações importantes para controlar diabetes, hipertensão arterial, dislipidemias (presença de elevados níveis de gorduras no sangue), doença renal e intolerância a lactose. Além  disso, as informações podem ajudar consumidores que buscam uma alimentação saudável e praticam atividades físicas.
Principais resultados da pesquisa sobre rótulos
  • Cerca de 63% dos entrevistados não leem os rótulos dos alimentos
    Em uma pergunta de múltipla escolha, dos cerca de 47% que leem os rótulos, quase 80% é para saber a validade, 21% pesquisa sobre a presença de cereais integrais, quase 20% lê sobre o sódio e cerca de 10% buscam a presença do açúcar
  • Dos cerca de 47% que leem os rótulos, apenas 23% conhece a lista de ingredientes e consideram as informações úteis para casos de:
    Diabetes: 50%; Hipertensão Arterial: 38,4%; Dislipidemias: 15,3%; Atividade Física: 11,5%; Alimentação Saudável: 3,8%; Doença Renal: 3,8%; Intolerância à Lactose: 3,8%
Fonte: Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Foram realizadas 330 entrevistas com pacientes de SP do IPDC

Mudança nos rótulos

Em julho deste ano, o presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Jarbas Barbosa, falou sobre a necessidade de uma mudança na embalagem dos alimentos para tornar mais fácil a identificação de produtos com alto teor de sal, açúcar ou gordura, para assim ajudar os consumidores a fazer escolhas de forma consciente.

"O problema da rotulagem é importante porque torna claro para o consumidor o que ele está comprando", afirmou o sanitarista à agência Estado na ocasião.

A reportagem do BOL entrou em contato com a Anvisa, que informou que a proposta citada por Jarbas Barbosa ainda está em avaliação, "não havendo dados concretos sobre o tema". 
 
O órgão ressaltou que, em junho deste ano, aprovou novas regras para os rótulos das embalagens de alimentos que podem causar alergia. A determinação especifica que as informações devem ser apresentadas logo abaixo da lista de ingredientes, em caixa alta e com cor de destaque em relação à embalagem, precedidas pelo aviso "Alérgicos".
 
Alimentação equilibrada e pratos coloridos
 
Para o cardiologista Daniel Magnoni, a tabela nutricional dos alimentos deve servir como um guia e não como um modo de vida. 

"O que é realmente importante é o equilíbrio alimentar, sem a exclusão de nenhum nutriente. É possível comer de tudo, contanto que não haja exageros e que a alimentação não seja somente baseada em industrializados ou de um alimento somente", afirma o especialista.
 
Reprodução
27.out.2015 - Uma alimentação saudável é aquela baseada na variedade de alimentos e em pratos coloridos e equilibrados

Outra sugestão é focar nos alimentos in natura e cozinhar em casa. "Assim, é possível verificar as quantidades de cada nutriente. Vale destacar que uma alimentação saudável é aquela baseada na variedade de alimentos e em pratos coloridos e equilibrados", completa.

O médico nutrólogo e diretor do departamento de obesidade da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia), Paulo César Giorelli, também reforça a importância do consumo consciente.

"Eliminar totalmente um nutriente na hora das refeições não é conveniente. A não ser, por exemplo, que a pessoa não possa ingerir glúten, que é o caso dos celíacos, ou tenha intolerância à lactose. Neste sentido, a tabela nutricional deve ser analisada com a necessidade de cada um", explica o especialista. 

Além dos celíacos, os diabéticos precisam observar a quantidade de açúcar e os hipertensos a de sal na hora de escolher por um alimento embalado. 
 
De acordo com o cardiologista Daniel Magnoni, a quantidade de açúcar recomendada pela OMS é de 10% de uma dieta diária de 2 mil calorias, o que gira em torno de 50g ou 12 colheres de chá. Já a quantidade do sal, de acordo com a OMS, é de 5g por dia.
 
"A população deve compreender que o nosso organismo precisa de todos os nutrientes para o bom funcionamento. Portanto, escolher bem os alimentos está totalmente relacionado com a quantidade na hora do consumo", conclui o especialista.
 
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