Remédio aumenta casos de bebês "viciados" nos EUA; Brasil regula substância

Matheus Collaço
Colaboração para o UOL

  • Getty Images

    Nos EUA, bebês nascem viciados nos opioides e apresentam sintomas da dependência

    Nos EUA, bebês nascem viciados nos opioides e apresentam sintomas da dependência

Os Estados Unidos vêm enfrentando uma triste epidemia nos últimos anos, com o aumento do consumo de opioides. As substâncias derivadas do ópio, que podem ser encontradas em drogas e analgésicos prescritos por médicos, afetam até mesmo bebês. A escalada chegou a pontos tão críticos que foi tema de pronunciamento do Presidente Donald Trump na última terça-feira (8).

A preocupação aumentou com o aumento do uso de remédios com essa origem em quem deveria manter distância da substância: os bebês.

Segundo informações da rede "ABC", o uso indiscriminado das substâncias por mulheres gestantes tem afetado a vida dos recém-nascidos, que já nascem viciados nos opioides e apresentam sintomas advindos da dependência, como febre, irritabilidade e tremores.

"Um bebê que não para de chorar, não consegue dormir, que sua muito e que faz movimentos constantes com os lábios, como se estivesse sempre procurando algo para comer ou sugar", descreve o Dr. Jeffery Loughead, diretor do Central DuPage Hospital em Illinois. Ainda de acordo com ele, a comunidade médica está chamando o problema de Síndrome de Abstinência Neonatal (NAS).

Atualmente, estima-se que a doença já afete cerca de 500 bebês por ano nos EUA, o que representa um aumento de quase 50% no número de casos nos últimos anos. Com isso, os hospitais têm pensado em formas de auxiliar no tratamento dos recém-nascidos, fazendo uso de remédios e até mesmo de pequenas doses de morfina para aliviar a dor.

"É um longo e complicado caminho até que o bebê consiga se estabilizar. Infelizmente, eles podem acabar ficando longos períodos no hospital", afirma Loughead. "Algumas vezes, as mães nem sabem que os medicamentos que tomam podem causar esses efeitos nos filhos. Então, é um problema que deve ser tratado em longo prazo, porque não é uma situação que deve se estabilizar em um futuro próximo".

Realidade diferente no Brasil

Apesar de estarem presentes em medicamentos que podem ser comercializados de forma legal no Brasil, os opioides raramente são receitados. Inclusive, em alguns casos, as substâncias são ministradas apenas nos hospitais, o que diminuiu a chance de existirem bebês com problemas desta natureza.

"Essas medicações não são de venda livre", afirma a neuropediatra Régia Gasparetto, em entrevista ao UOL. "Um exemplo é o Fentanil, que tem prescrição diferenciada e os pacientes não tem acesso fácil a ele. A codeína, que talvez seja o mais simples de ser adquirido, só é vendida com receita especial. É o tipo de medicação mais utilizada em pacientes com câncer, não algo que uma grávida vá fazer uso".

Porém, a médica confirma ainda que a utilização das substâncias, de forma lícita ou ilícita, pode afetar os bebês após o parto e acarretar em danos estruturais: "Se a mãe fez uso da medicação desde o primeiro trimestre da gestação, isso pode causar um dano cerebral. Quando crescer, a criança pode ter desde um problema comportamental até uma deficiência intelectual. Varia muito com relação ao grau de exposição e a sensibilidade de cada um".

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