Menino de 5 anos morre após ser liberado três vezes de hospital sem exames

Renan Prates
Colaboração para o UOL

  • Reprodução/Facebook

    Diogo Vinicio Alves Pinto, 5, morreu sem ter feito exames em hospitais do Rio

    Diogo Vinicio Alves Pinto, 5, morreu sem ter feito exames em hospitais do Rio

Deivianne Alves ainda tenta superar a morte do menino Diogo Vinicio Alves Pinto, de cinco anos. O seu filho não resistiu a um quadro de pneumonia, agravado pela dificuldade que a família teve em receber atendimento no sistema público de saúde do Rio de Janeiro. A criança morreu no último dia 2, após três idas frustradas a hospitais - segundo os pais, Diogo Vinicio foi liberado em todas as visitas sem que um exame sequer fosse feito.

Deivianne conta ao UOL que o drama da família começou no dia 15 de outubro. Uma febre seguida de convulsão a fez levar a criança para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cabuçu, a mais próxima da região onde eles moram, em Nova Iguaçu. O médico de plantão receitou uma medicação para conter a febre, sem sucesso.

Dez dias depois, a criança ainda não havia se recuperado. A mãe voltou ao hospital, dessa vez ao Hospital Geral de Nova Iguaçu em busca de um exame de raio-x para a criança.

"Fui no hospital da Posse, porque lá eu tinha certeza que a máquina de raio-x estava funcionando. A médica o atendeu, viu, falou que não tinha necessidade de fazer raio-x, só em caso grave, porque meu filho estava bem. Nisso, ela liberou logo em seguida. Mesmo meu marido pedindo o raio-x, ela falou que não tinha necessidade. Aí liberaram a gente", explicou a mãe.

Depois de serem liberados do hospital após uma segunda tentativa de exame, os pais viram o quadro de saúde de Diogo Vinicio piorar de forma repentina.

"No dia seguinte, dia 26, meu filho passou mal de convulsão de novo, eu fui para a UPA de Cabuçu de novo. Chegando lá eu falei: 'doutor, não entendo que essa febre está indo e voltando e ele está roncando muito, tem como o senhor escutá-lo?' Aí o médico foi lá, escutou, e falou: 'o pulmão do seu filho está limpo'. Eu falei: 'tem certeza, doutor?' Aí ele falou: 'totalmente'", complementou Deivianne, que afirma ter um vídeo comprovando esta conversa com o médico da UPA de Cabuçu.

Deivianne explica que o estado de saúde o filho piorou de vez no dia 31 de outubro. A família teve que recorrer à Justiça para conseguir que a criança tivesse um atendimento adequado e fosse internado em um hospital.

"Tive que ir no hospital mais próximo que tinha, que é o 21 de julho. Lá, não tinha suporte para o meu filho. Entraram em contato com a [Hospital] Posse, que não quis receber meu filho, pois ele precisava de uma UTI. Lá nesse hospital, meu filho ficou só no oxigênio, e a convulsão dele não parava. Só foi passar no dia seguinte, às 5h40 da manhã. Meu filho ficou 11 horas convulsionando lá", contou a mãe.

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Diogo Vinicio chegou a ser transferido para o Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes. "Nisso, fomos na Justiça pedir uma transferência rápida, mesmo assim não conseguimos. Só fomos conseguir no dia 1º, às 4 horas da tarde, para o Hospital Carlos Chagas. A ambulância que transferiu meu filho não tinha suporte, não tinha oxigênio. Meu filho, se chegasse de cinco a dez minutos atrasado no Hospital Carlos Chagas, chegaria morto, foi o que o médico falou. Chegando lá, ele foi para a UTI, ficou até o dia 2, quando veio a falecer".

Ao UOL, a Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro lamentou a morte da criança e ressalta que a direção da UPA de Cabuçu informou que o paciente deu entrada na unidade no dia 27 de outubro, foi acolhido e avaliado pela equipe médica. Segundo o comunicado, Diogo Vinicio passou por exames laboratoriais que não apresentaram sinais de quadro infeccioso. O paciente, então, foi liberado com orientação.

"Após cinco dias, o paciente deu entrada no Hospital Estadual Carlos Chagas com quadro de insuficiência respiratória. Foi avaliado pela equipe médica, internado em unidade de terapia intensiva, acompanhado e medicado. No dia seguinte, a criança evoluiu para óbito", informou a Secretaria.

A Secretaria de Saúde de Nova Iguaçu não se manifestou até o fechamento da reportagem.

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