Sem verba, hospital corta refeição de pacientes e funcionários no Rio

Wanderley Preite Sobrinho
Colaboração para o UOL

  • Divulgação

    Sem receber repasses da prefeitura, Rocha Faria não oferece refeições a pacientes

    Sem receber repasses da prefeitura, Rocha Faria não oferece refeições a pacientes

A crise que se abate sobre o Rio de Janeiro resultou em mais um capítulo ruim para o sistema público da cidade: o Hospital Municipal Rocha Faria, em Campo Grande, passa por graves problemas há uma semana. Sem receber repasses da prefeitura, a Organização Social (OS) que cuida da unidade cortou a alimentação de funcionários, pacientes e seus acompanhantes.

Presidente da Associação dos Funcionários do Hospital Rocha Faria e funcionária por 37 anos daquela unidade, Clara Fonseca afirmou ao UOL que a administração da unidade de saúde começou a ruir quando "depois de municipalizado, foi entregue a uma O.S" - ao Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas). "Aí veio o descaso dos governos que pararam de fazer os repasses."

Clara explica que a empresa terceirizada para fazer as refeições (a Nutrindo) deixou de receber a verba do Iabas e, por isso, fechou o refeitório há uma semana. "Os funcionários, acompanhantes e pacientes estão comprando fora ou levando comida de casa."

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A servidora, que também é diretora do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Trabalho e Previdência (Sindisprev), explica que a primeira refeição cortada foi a dos funcionários, na última semana. "De lá pra cá, tiraram a dos acompanhantes e, agora, dos internos", conta. "Isso pode afetar a recuperação daqueles pacientes que precisam de uma boa dieta."

Clara reforça que as dependências do Rocha Faria não contam com geladeira nem fogão. Com isso, os funcionários e pacientes comem banana e pão. "Precisa ser comida que não estraga fácil porque não tem onde guardar."

Ainda de acordo com a servidora, os funcionários estão há três meses sem salários e nem o 13º de 2016 foi pago. "A situação é critica em toda a rede municipal e estadual no Rio."

Procurada pelo UOL, a Secretaria Municipal da Saúde informa que "não procede a informação" de que há mais de uma semana falta comida para os pacientes e funcionários do hospital. "Houve de fato, nesta terça-feira, 28, suspensão irregular do serviço pela empresa Nutrindo, contratada para o fornecimento das refeições. […] Em virtude disso, outra empresa, a Guelli, foi convocada emergencialmente para o fornecimento do almoço dos pacientes a partir desta quarta-feira, dia 29."

Ao UOL, a Iabas informou que, por orientação da secretaria, os valores parciais de repasses realizados foram destinados para o pagamento dos salários dos colaboradores, "sendo insuficientes para suprir todo o pagamento de serviços terceirizados, compra de medicamentos e insumos", diz em nota.  "O Instituto lamenta a situação e informa que, assim que os repasses forem regularizados, os pagamentos serão efetuados."

Ja a Defensoria Pública do Estado informou ao UOL que ajuizou uma Ação Civil Pública para que o município repasse ao Fundo Municipal de Saúde os R$ 543,5 milhões necessários à manutenção dos serviços de saúde na cidade até o fim do ano. O órgão quer que o valor seja transferido por remanejamento de verbas, como utilização de reserva de contingência, ou abertura de créditos suplementares.

Os defensores também pedem que a cidade do Rio apresente em Juízo semanalmente – e até o dia 10 de janeiro de 2018 – documentação que comprove o repasse. "Está escancarado que as unidades de saúde do Município do Rio de Janeiro não possuem as mínimas condições de prestar o serviço público essencial de saúde. Falta tudo: medicamentos, insumos, equipamentos, materiais básicos, serviços terceirizados, médicos e profissionais de saúde em gera", diz um trecho da petição protocolada no dia 22 de novembro.

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