Los Angeles pinta asfalto de algumas ruas de branco para reduzir calor

Luis Uribe.

Los Angeles, 17 abr (EFE).- Em uma tentativa de apresentar iniciativas a favor do meio ambiente, Los Angeles começou a pintar de branco o pavimento de algumas ruas sob a promessa de reduzir em alguns graus as inclementes temperaturas que emanam do solo no verão.

Este esforço de viés ecológico, que implica em um investimento de US$ 40.000 por cada 1,5 quilômetro, busca diminuir a absorção dos raios solares usando o produto Cool Seal, um revestimento de fácil aderência e que deixa a rua com uma cor cinza muito clara.

"Os resultados dos testes mostraram uma redução nas temperaturas de mais de 10 graus Farenheit", afirmou o escritório do vereador Bob Blumenfield, em cujo distrito eleitoral se assenta parte de San Fernando Valley, onde no ano passado a iniciativa começou a ser testada.

Para Greg Spotts, do Escritório de Serviços de Ruas da cidade, o projeto é um esforço para tentar reduzir o chamado "efeito ilha", segundo o qual as cidades são mais calorosas que as áreas menos povoadas ao seu redor.

"Estamos usando está inovação técnica para economizar energia, diminuir a poluição do ar, as emissões de gases do efeito estufa e a escassez de água de qualidade", detalhou em uma comunicação enviada à Agência Efe o escritório de Spotts.

O revestimento que vem sendo usado em algumas ruas de Los Angeles é produzido pela companhia GuadTop, e toma como ponto de partida um estudo elaborado em 2008 pelo Laboratório Nacional Lawrence Berkeley e a Universidade de Berkeley, na Califórnia.

O relatório final apontou que se as cem maiores cidades do planeta mudassem os tetos escuros das moradias por outros de tonalidades brancas e as ruas de asfalto por concreto ou outro material de cor clara "seria possível compensar 44 bilhões de toneladas métricas de gases de efeito de estufa".

No entanto, a melhoria estética das ruas, pelo menos durante os primeiros dias, e a aparente redução do calor surgido do asfalto, não acalmaram os incrédulos e os críticos da medida, tal como se constata no site "Eleitores Bens Informados".

"Pintar as ruas da cidade de branco? Você imagina quanto dinheiro receberam os políticos pelo projeto?", se perguntou um usuário do site na seção de comentários.

"O reflexo da luz vai aumentar as afetações visuais e propagar problemas como catarata e glaucoma", previu à Efe um morador que não quis se identificar, perto de uma rua branca na vizinhança de Canoga Park.

"Além disso o calor que não se absorve no solo reflete para as casas e o que diminui na rua vai aumentar nas casas", acrescentou por trás de óculos escuros.

Há também os incrédulos da permanência da sua brancura como Peter Aguirre, morador de Pacoima, que adrvete sobre os jovens que deixarão marcas com seus pneus nas ruas recém pintadas "nas sextas-feiras durante a noite".

Mesmo assim, a empresa GuadTop defende orgulhosa que o Cool Seal é um produto que "busca ser exemplo para o resto do mundo" e cujo acabamento dura pelo menos sete anos.

"É uma emulsão selante para asfalto desenvolvida para conseguir diminuir as temperaturas da superfície devido à sua cor mais clara e ao seu reflexo", detalhou a empresa em uma declaração à Efe.

Seus defensores destacam que constitui um esforço importante para "reduzir o aquecimento global" e "proteger o planeta", como declarou à Efe Rudy Andrade, um estudante da Universidade do Estado da Califórnia em Northridge.

Após começar como um programa piloto no ano passado, o projeto está ainda em fase de desenvolvimento, durante a qual foi pintada pelo menos uma rua em 14 distritos da cidade.

Uma análise da Universidade do Arizona em 2013 apontou que, por ora, "uma mudança na temperatura da superfície tem somente efeitos limitados sobre as capas de ar sobreposto, razão pela qual os benefícios gerais dos pavimentos e tetos reflexivos pode ser menor que o esperado".

Com base científica ou não, o projeto, pela sua particularidade, não deixa de estar isento da polêmica e do sarcasmo.

"E depois disso? Vão proibir que as pessoas usem roupa escura e todos vão ter que ir de branco aos enterros?", se perguntou Arnulfo, um jardineiro local.

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