Sé é o distrito mais poluído de São Paulo; Marsilac, o mais limpo

Alex Tajra
Do UOL, em São Paulo

  • Fábio Vieira/FotoRua

    Clima seco e camada de poluição na cidade de São Paulo a partir da avenida Paulista; marco zero, o bairro da Sé foi considerado o mais poluído

    Clima seco e camada de poluição na cidade de São Paulo a partir da avenida Paulista; marco zero, o bairro da Sé foi considerado o mais poluído

Situado na zona central de São Paulo e conhecido como o marco zero da cidade, o distrito da Sé foi considerado o mais poluído de São Paulo pela pesquisa Mapa da Desigualdade, divulgada nesta quarta-feira (28) pela Rede Nossa São Paulo. O estudo utilizou como metodologia a divisão da emissão de gases poluentes por dia (material particulado - MP) pela área do distrito pesquisado.

No bairro da Sé, o número chega a 10,895 MP/km² por dia. Como comparação, o bairro com menor índice de emissão de gases poluentes, Marsilac, no extremo sul de São Paulo, registra o índice de 0,009 MP/km². Os dados dizem respeito ao ano de 2017.

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Segundo a Rede Nossa São Paulo, a pesquisa analisa a "emissão de Material Particulado, associada ao transporte rodoviário de passageiros, gerado por combustão e por desgaste de pneus, freios e pistas (kg), sobre área do distrito paulistano onde a emissão ocorreu (km²), para um dia útil" e usa como base os dados do Iema (Instituto de Energia e Meio Ambiente).

Um estudo do Ministério da Saúde de 2016 já havia chamado a atenção para os problemas de saúde que a emissão de poluentes atmosféricos causa na vida de quem vive nos centros urbanos. O texto define o alto número de material particulado como principal redutor da expectativa de vida da população, principalmente em idosos e crianças.

"A poluição atmosférica e, especialmente, o material particulado, têm ganhado destaque nas agências de saúde globais como um dos grandes responsáveis por mortalidade precoce à medida que o conhecimento científico avança sobre os efeitos. Em 2010, a partícula MP2,5 foi considerada o sexto maior fator de risco para a mortalidade prematura global pela OMS [Organização Mundial da Saúde] e a primeira relacionada a fatores ambientais", aponta o texto do ministério.

Em 2013, a Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (Iarc) chegou a apontar o ar poluído e o material particulado como substâncias carcinogênicas, passando a ser consideradas causas ambientais de mortes por câncer de pulmão e bexiga.

Arborização viária e área verde

A pesquisa da Rede Nossa São Paulo também mediu a presença de árvores nas vias e áreas verdes nos distritos da capital. Convergindo com o alto índice de poluição, o distrito da Sé registra o menor número de árvores da cidade: 518. Já o distrito de Santo Amaro, zona sul da capital, possui 16.192 árvores em suas vias, segundo dados compilados a partir da SMUL (Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento).

Já em referência ao total de metros quadrados de área verde por habitante, os dois extremos estão na periferia da capital. O bairro com maior proporção de área verde é Parelheiros, no extremo sul, que registra 505,06 m² de área verde por habitante. Já o distrito de Cidade Ademar, na mesma região, possui 0,747 m² de área verde para cada morador.

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