Dólar cai 1,13%, vai a R$ 1,667 e volta a bater mínima em 2 anos

Da Redação, em São Paulo

A cotação do dólar comercial voltou a cair e a registrar o menor valor dos últimos 25 meses. Nesta sexta-feira (8), a moeda fechou em queda de 1,13%, a R$ 1,667 na venda, na nona desvalorização ante o real nos últimos 15 dias.

Esta é a menor cotação do desde o dia 2 de setembro de 2008 (antes da quebra do banco Lehman Brothers, que marca a origem da crise financeira), quando valia R$ 1,663. Na semana, o dólar acumulou queda de 0,83%. No ano, a desvalorização é de 4,6%

O Banco Central (BC) voltou a fazer duas operações ao longo do dia na tentativa de evitar uma queda ainda maior da moeda. Na primeira intervenção, o BC comprou moeda a R$ 1,687. Na segunda operação, a taxa de corte foi de R$ 1,668.

A queda da moeda foi provocada pela perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) ofereça mais estímulos à economia dos Estados Unidose pela forte alta das commodities.

O fechamento inesperado de 95 mil postos de trabalho nos EUA em setembro reforçou a expectativa de que o Fed decida aumentar a oferta monetária a partir da próxima reunião, em novembro, com o objetivo de estimular o crescimento econômico.

Embora o dado não tenha proporcionado uma forte queda do dólar ante o euro, após várias semanas de desvalorização, foi suficiente para empurrar para cima materiais básicos como o ouro e o petróleo.

"As commodities estão subindo bastante. (O mercado local) está acompanhando lá fora", disse Danilo Campos, operador de câmbio da corretora Flow, à agência de notícias Reuters.

Na avaliação de analistas do banco BTG Pactual, a alta "surpreendente" das commodities -que compõem boa parte do superavit comercial Brail- em setembro foi um dos fatores que provocou a redução da estimativa para o dólar no fim de 2011, de R$ 1,77 a R$ 1,73 real.

Eles ponderaram em relatório, no entanto, que "a incerteza sobre o futuro das influências externas é a principal ressalva às projeções."

Guerra cambial

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta sexta-feira que os desequilíbrios no mercado mundial de câmbio são "sérios".

"O dólar vem se enfraquecendo devido a medidas adotadas para enfrentar a crise. O euro não está se enfraquecendo tanto devido a seus próprios problemas. Você tem a China fazendo a moeda se depreciar junto com o dólar", afirmou Meirelles, que está em Washington para participar da reunião do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial.

Na sua avaliação, esse cenário está causando desequilíbrios ao redor do mundo e por isso muitos países estão tomando medidas para se proteger. "Este é um problema sério. Precisa ser enfrentado."

Por sua vez, o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que vai apresentar propostas para uma ação coletiva do G20 --grupo que une as 20 maiores economias do mundo-- para evitar o que ele chamou de "guerra cambial".

"Estou otimista, acho que podemos resolver o problema se tivermos uma ação coletiva. No G20, podemos ter um acordo parecido com o Plaza Accord", disse, em Washington, onde participa da reunião do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial.

(Com informações da Reuters)

Últimas notícias Ver mais notícias