Abilio Diniz negocia compra de até 15% em unidade brasileira do Carrefour, diz fonte

SÃO PAULO (Reuters) - O empresário Abilio Diniz e o Carrefour mantêm conversas sobre a compra de uma participação na unidade brasileira da rede francesa de varejo, afirmou uma fonte com conhecimento direto da situação nesta quarta-feira (17).

Diniz estaria negociando a compra de uma fatia de 10% a 15% da unidade, afirmou a fonte, acrescentando que as conversas entre Carrefour e o empresário brasileiro estão em "estágio muito avançado", disse a fonte.

Segundo ela, o Carrefour vê uma colocação privada como um alternativa mais viável no momento do que uma oferta pública inicial de ações (IPO) da unidade, segunda maior varejista do Brasil.

A Reuters havia noticiado em março que o Carrefour avaliava uma captação privada de recursos no Brasil em vez de um IPO, com o empresário Abilio Diniz surgindo entre os potenciais compradores.

Diniz, que deixou o cargo de presidente do Conselho de Administração do Grupo Pão de Açúcar no ano passado, reduzindo significativamente sua participação na companhia fundada por seu pai, se associou à empresa de investimentos Tarpon em compras recentes de até 6 por cento das ações do Carrefour, listado na França.

Enquanto a estrutura do acordo ainda está sendo discutida, Diniz poderá obter "direitos de administração", ou o poder para ajudar a gerir a unidade brasileira do Carrefour, que inclui o Atacadão, rede de atacado de autosserviço, afirmou a fonte.

A Península Participações, empresa que reúne os investimentos de Abilio e sua família, não comentou o assunto. Uma porta-voz do Carrefour na França se recusou a comentar "especulações de mercado".

Retorno ao mercado

Para Abilio, um acordo com o Carrefour marcaria um retorno ao varejo supermercadista, após a transferência em 2012 do controle do GPA ao grupo francês Casino, arquirrival do Carrefour no Brasil e na França. Após se desligar do GPA no ano passado, Abilio assumiu a presidência do Conselho da empresa de alimentos processados BRF, maior produtora mundial de aves.

As relações entre Abilio e o Casino azedaram depois de o empresário iniciar conversas para uma associação entre o GPA e o Carrefour Brasil em 2011.

Pelo acordo esboçado, o Carrefour obteria uma fatia no GPA assim como o Casino, que não aprovava a investida e se preparava para assumir o controle do negócio sob um acordo de acionistas fechado anteriormente com Abilio.

Segundo a fonte, os recursos obtidos com a venda da participação ajudariam o Carrefour a duelar com o GPA no competitivo mercado varejista do Brasil.

Mas o Carrefour ainda não desistiu da ideia do IPO da unidade brasileira, com um envolvimento de Abilio no negócio como um investidor âncora "contribuindo fortemente em termos de visibilidade", disse a fonte.

(Por Guillermo Parra-Bernal, com reportagem adicional de Marcela Ayres em São Paulo e Dominique Vidalon em Paris)

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