5 dicas para tirar vantagem da nova regra do rotativo do cartão de crédito

Téo Takar
Colaboração para o UOL, em São Paulo

O governo anunciou novas regras para o uso do rotativo do cartão de crédito. A mudança deve trazer alívio ao consumidor que costuma pagar apenas o valor mínimo da fatura e acaba entrando na bola de neve dos juros (que hoje passam de 15% ao mês, ou 450% ao ano).

A partir de 3 de abril, o rotativo só poderá ser usado por, no máximo, 30 dias. Depois desse prazo, ou o cliente quita a fatura vencida acrescida dos juros do rotativo, ou o banco terá que oferecer uma alternativa, que pode ser o parcelamento da dívida. Hoje, não há limite de tempo para uso dessa linha de crédito.

A expectativa do governo é que o custo do cartão de crédito caia pela metade com a mudança. Veja abaixo cinco dicas para tirar vantagem da mudança.

1) Pague 100% da fatura

Para quem está com as contas em dia e paga 100% da fatura do cartão no vencimento, nada muda com a nova legislação. E essa continua sendo a melhor opção para evitar pagar juros.

2) Não aceita a primeira oferta

Esse é o primeiro ponto a que o consumidor precisa ficar atento: após os 30 dias no rotativo, cada banco pode definir quais alternativas vai oferecer ao cliente. O Banco Central não definiu nenhuma regra quanto a taxas de juros ou número de prestações. A princípio, os juros serão menores do que no rotativo.

"Nossa expectativa é que os clientes sejam levados a trocar o rotativo do cartão, cuja taxa está em 450% ao ano (15% ao mês), por uma modalidade de crédito parcelado, com juros na casa de 150% ao ano (8% ao mês)", afirma o diretor de economia da Anefac (associação dos profissionais de finanças), Roberto Vertamatti.

"Ainda assim, ela seria a terceira linha de crédito mais cara do mercado, atrás apenas do rotativo do cartão e do cheque especial. Portanto, eu não ficaria muito animado."

Ou seja: a alternativa oferecida pelo banco pode não ser necessariamente a melhor para você. A recomendação de Vertamatti é pesquisar outras opções de empréstimo dentro do próprio banco e também em outras instituições.

"A concorrência, ainda que seja pequena no Brasil, tende a aumentar com as mudanças que foram anunciadas. Por isso, o consumidor deve ficar mais atento, pesquisar e trocar de cartão ou de banco, se for o caso."

3) Empréstimo pessoal pode ser melhor que o parcelado

Uma simulação* feita pelo aplicativo de finanças pessoais Guia Bolso para o UOL mostra que apelar para o empréstimo pessoal para pagar a dívida do cartão de crédito pode sair mais barato do que parcelar essa dívida do cartão com o banco.

Por exemplo, um consumidor com uma dívida de R$ 1.000 no cartão de crédito:

  • pela regra atual do rotativo, após 1 ano pagará R$ 2.213,76 no total;
  • pela nova regra, se ficar 1 mês no rotativo e parcelar a dívida em 11 vezes, pagará R$ 1.771,99 no total;
  • se fizer um empréstimo pessoal para cobrir a dívida do cartão, pagará R$ 1.381,56 no total.

Nesse caso, com a nova regra o consumidor deixa de pagar R$ 441,77 em juros. Porém, se optar pelo empréstimo pessoal para quitar a fatura do cartão em dia, deixará de pagar R$ 832,20 em juros.

Outro exemplo: um consumidor com uma dívida de R$ 5.000 no cartão de crédito:

  • pela regra atual do rotativo, após 1 ano pagará R$ 11.068,80 no total;
  • pela nova regra, se ficar 1 mês no rotativo e parcelar a dívida em 11 vezes, pagará R$ 8.859,84 no total;
  • se fizer um empréstimo pessoal para cobrir a dívida do cartão, pagará R$ 6.907,68 no total.

Nesse caso, com a nova regra o cliente deixa de pagar R$ 2.208,96 em juros. Se optar pelo empréstimo pessoal para quitar a fatura do cartão em dia, deixa de pagar R$ 4.161,12 em juros.

4) Cuidado ao voltar a usar o cartão

A nova regra não definiu como fica o limite de gastos no cartão após o prazo de 30 dias no rotativo. O consumidor tem seu limite de crédito reduzido até quitar a dívida?

"Não há uma regra. Ficará a critério de cada banco restabelecer o limite original do cartão ou considerar que aquele novo empréstimo alternativo continua restringindo o limite. Vai depender muito do relacionamento do banco com o cliente", diz Vertamatti.

De toda forma, o consumidor deve ficar atento ao quanto pode pagar, e não ao limite oferecido pelo banco, alerta o especialista. "A pessoa precisa aprender a usar melhor o crédito para não se endividar ainda mais."

5) Consulte o banco sobre como será a migração

Não está claro ainda se a migração do rotativo do cartão de crédito para um financiamento alternativo será automática, ou se o cliente terá que expressar a sua escolha de alguma forma. Procurados pela reportagem, os principais bancos se limitaram a elogiar a decisão do Banco Central, mas não deram detalhes sobre as estratégias que cada um irá adotar com os clientes, nem sobre as opções de empréstimo que serão oferecidas.

O Banco do Brasil, por exemplo, se antecipou às medidas e lançou uma campanha de educação financeira no início deste ano direcionada aos 2 milhões de clientes que estão usando o rotativo. O banco está orientando esses clientes a migrar para uma linha especial de parcelamento, com custo menor, mas não detalhou as taxas praticadas. "O BB não só apoia essas medidas, como anunciou uma redução de até quatro pontos percentuais na taxa praticada no rotativo, o maior corte do mercado", declarou o presidente da instituição, Paulo Caffarelli.

O BB disse que informará até 15 de fevereiro como ocorrerá o parcelamento automático da fatura para os clientes que ultrapassarem os 30 dias no uso do rotativo do cartão. "Os clientes podem ficar tranquilos porque tudo será comunicado previamente. Esse período de transição é justamente para definirmos as condições mais adequadas aos diferentes perfis dos nossos clientes", disse Marcelo Labuto, vice-presidente de Negócios de Varejo.

O Itaú Unibanco diz que, desde 2012, adota o Itaucard 2.0, um modelo alternativo de cartão que oferece juros menores para o consumidor. "De forma geral, acreditamos que ainda há espaço para redesenhar o sistema de cartão de crédito no Brasil, com um rebalanceamento dos custos dos vários tipos de pagamento e financiamento. As medidas divulgadas pelo governo são um passo importante na direção de modernizar esse setor", disse o diretor executivo da área de cartões, Marcos Magalhães.

O Bradesco afirmou, em nota, que as medidas são "um avanço que trará eficiência nas relações com os consumidores". O banco disse que ainda fará os ajustes necessários em seus sistemas para se adaptar à nova regulamentação.

O presidente do Santander, Sérgio Rial, disse que as medidas seguem na direção certa, porque o que está em jogo é a viabilidade financeira das pessoas. "Existe uma complexidade operacional, que vamos superar para oferecer um crédito parcelado condizente com a capacidade de pagamento do cliente."

* A simulação considera, para a regra atual do rotativo do cartão de crédito, que o consumidor paga apenas o valor mínimo da fatura e joga o restante da dívida no rotativo; foi considerada uma taxa de 15% ao mês, que corresponde à média praticada hoje no mercado. Para as novas regras, foi considerado um mês de taxa do rotativo, mais 11 prestações com taxa de 8% ao mês cada. Para o empréstimo pessoal, foi considerada taxa de 5,36% ao mês, que corresponde à média do mercado.

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