GE aumenta aposta em impressão 3-D após realizar aquisições

Richard Clough e Oliver Sachgau

(Bloomberg) -- A General Electric sacudiu o mercado de impressoras 3-D no ano passado, quando investiu mais de US$ 1 bilhão para adquirir duas empresas. E isso pode ser apenas o começo.

A gigante da fabricação avalia realizar mais compras para expandir o negócio de crescimento rápido, disse David Joyce, vice-diretor da GE responsável pela impressão 3-D. A tecnologia florescente está se transformando em uma nova linha de produtos e um componente central das iniciativas da GE para modernizar suas operações de fabricação, aumentar a produtividade e mudar a forma de fabricar todo tipo de produtos, de locomotivas e escâneres médicos até motores de avião.

No processo, a GE corre para superar concorrentes como a Siemens AG e a United Technologies, que também estão integrando impressoras avançadas às operações. Essas medidas são tomadas enquanto a fabricação ganha destaque em meio ao governo do presidente dos EUA, Donald Trump, que prometeu revitalizar o setor e reverter décadas de perda de empregos. Embora a tecnologia 3-D possa ajudar a trazer as fábricas de volta, é improvável que ela também repatrie os operários.

A capacidade de imprimir peças complexas é "uma das inovações mais revolucionárias que eu vi no setor de fabricação nos 37 anos que eu passei aqui", disse Joyce em entrevista de seu escritório na área de Cincinnati. Como CEO da GE Aviation, ele está ajudando a encabeçar a adoção da tecnologia 3-D dentro da empresa incorporando peças impressas a motores de avião. "A fabricação está passando por um renascimento", disse ele.

Tecnologia

A impressão 3-D industrial, também conhecida como fabricação aditiva, emprega lasers e outras tecnologias para fusionar camadas ultrafinas de materiais como metal em pó ou polímeros e constrói peças do zero. Em poucas horas, uma máquina pode fabricar componentes complexos que de outra forma seriam difíceis ou impossíveis de fazer. O processo já foi utilizado para construir protótipos rápidos, mas a integração à fabricação completa tem sido limitada por problemas com materiais e custos.

A GE visa vender 9.000 impressoras 3-D a clientes externos no próximo decênio em setores como automotivo, médico e aeroespacial. E para meados da década que vem, a companhia espera reduzir entre US$ 3 bilhões e US$ 5 bilhões dos custos utilizando as máquinas nas próprias operações de fabricação, disse Joyce.

Há muito em jogo, já que grandes fabricantes tentam tirar vantagem competitiva da nova tecnologia. A divisão de aviação da GE está trabalhando em um novo motor turbopropulsor que terá cerca de 35 por cento construídos a partir de impressoras 3-D. A Pratt & Whitney, a divisão da United Technologies, emprega suportes impressos e outros componentes para um motor de avião que concorre com um fabricado pela GE. Em uma reunião de acionistas em fevereiro, o CEO da Siemens, Joe Kaeser, exibiu uma pá de turbina feita com impressoras 3-D que está sendo testada.

Juntamente com colossos da tecnologia como a IBM e a Amazon, a GE tem "bolsos fundos e eles estão assumindo a liderança" na modernização da fabricação nos EUA, disse Scott Davis, analista do Barclays.

"Eles poderiam estragar tudo, mas poderiam acertar", disse Davis. "E se eles acertarem, isso poderia ser muito valioso."

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