Teste para quem quer abrir uma franquia inclui lavar carro e entregar pizza

Márcia Rodrigues
Colaboração para o UOL, em São Paulo

O famoso test-drive que as concessionárias fazem para quem quer comprar um veículo também é oferecido por algumas franquias aos candidatos que desejam abrir um negócio.

Durante o test-drive, o empresário acompanha vários processos do negócio. Abertura da loja, controle de caixa e de estoque, limpeza do lugar, atendimento ao cliente, preparação e venda dos produtos são algumas tarefas. Há redes que fazem o futuro franqueado lavar carro e entregar pizza.

O UOL selecionou 18 redes que oferecem o serviço:

  • O menor valor de investimento, de R$ 4.500, é da Gigatron, rede de implantação de software, que também oferece o menor prazo de retorno do investimento: três meses.
  • O maior, de R$ 400 mil, é da Bono Pneus, rede multimarcas de pneus. 
  • A rede que tem o maior faturamento mensal, de R$ 220 mil, é MedicMais, franquia de clínicas médicas e odontológicas, que também tem o maior lucro, R$ 44 mil.

Todos os dados foram fornecidos pelas empresas. Clique e veja todas as opções aqui.

Negócio pode ser testado de 1 a 30 dias

A maioria permite que o candidato fique um dia acompanhando as operações de uma unidade -algumas redes selecionam a mais próxima do interessado e outras estabelecem as lojas previamente. Há franquias que oferecem um test-drive mais longo. Na Gigatron, rede de implantação de softwares, por exemplo, pode durar três dias, e na Acqio Franchising, até um mês.

"O test-drive foi criado para ajudar o candidato que tem dúvida sobre abrir ou não o negócio. A ideia é fazer o empresário vivenciar o dia a dia da franquia, não apenas o gerenciamento", diz Marcus Rizzo, diretor da consultoria Rizzo Franchise.

Rizzo afirma que algumas franquias usam o serviço de forma errada, o que descaracteriza o seu objetivo. "Elas colocam um espião para acompanhar o candidato e avaliar o seu desempenho. Isso não é certo. A avaliação deve ser feita pelo candidato, que terá a chance de conhecer o negócio antes de assinar os papéis."

Para o especialista, as redes devem seguir o modelo do McDonald's ao contratar um funcionário ou selecionar um franqueado. "Todo profissional ou franqueado da rede faz os lanches, frita as batatas, serve, opera o caixa e limpa a loja. Só assim é possível entender toda a operação."

Desistiram por ter de trabalhar em fins de semana

Na Dídio, por exemplo, o candidato faz o test-drive em um sábado à noite. Ele participa de toda operação, desde a abertura até o fechamento da loja, passando pela cozinha, atendimento e entrega das pizzas, diz Elídio Biazini, diretor da rede.

"A iniciativa da rede é boa porque faz o futuro franqueado perceber que ele não terá mais fim de semana livre, além de mostrar todo o agito da operação. Já vi muitos candidatos desistirem de comprar uma unidade de franquia que exige trabalho no fim de semana, depois de passar por esse tipo de teste", diz Rizzo

Entregando e lavando carros

Na Unidas, locadora de veículos, o candidato passa um dia inteiro na franquia acompanhando os processos. Quando ele é de São Paulo, participa da liberação dos carros pela manhã no centro. Depois segue para a central de atendimento e termina o dia lavando e entregando os carros na loja do aeroporto de Congonhas.

O especialista também diz que muitos candidatos acabam desistindo depois de participar de toda a operação. "Não é todo empresário que aceita lavar carro e colocar a mão na massa. A locação de veículos é um tipo de negócio que vai exigir muito dele."

Na Quinta Valentina, franquia de venda direta de sapatos, o candidato acompanha um franqueado na montagem da bolsa com o material que vai vender e nas visitas que ele faz aos clientes

Test-drive não substitui estudo preliminar da rede

Para Luis Stockler, consultor especializado em franquia da BaStockler, todos os empresários que desejam comprar uma franquia devem fazer o test-drive.

"É uma forma de ele entender melhor o negócio e ver se está disposto, realmente, a perder seus fins de semana, no caso de a franquia exigir isso. Além disso, o teste aumenta a confiança tanto do franqueado quanto do franqueador para fechar o negócio."

Stockcler e Rizzo afirmam, no entanto, que apesar de o test-drive dar mais segurança ao candidato sobre o tipo de negócio que ele vai adquirir, ele não garante que o negócio seja promissor.

"O candidato deve fazer a lição de casa, ou seja, ouvir, pelo menos, 10 franqueados que já atuam na rede para saber se ele terá o suporte necessário para trabalhar, além de conferir se o faturamento e o lucro estimados realmente são palpáveis, por exemplo", diz Stockcler.

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