EUA investigam alegações da Boeing contra Bombardier por dumping

Por David Lawder

WASHINGTON (Reuters) - Autoridades do governo norte-americano devem começar na quinta-feira uma investigação sobre reclamações da Boeing contra ações comerciais da rival canadense Bombardier. O processo pode fazer os Estados Unidos imporem tarifas sobre o novo avião da Bombardier, além de afetar a Delta Air Lines.

O Departamento de Comércio dos EUA está pronto para anunciar o lançamento de sua investigação. A equipe da Comissão de Comércio Internacional dos EUA (USITC) ouvirá depoimentos das duas empresas e da Delta, cliente da Bombardier no caso.

A Boeing alega que os novos aviões CSeries da Bombardier estão sendo vendidos a preços abaixo de custo nos EUA com ajuda de subsídios ilegais de contribuintes canadenses. A nova aeronave da Bombardier compete com os jatos 737-700 e 737 MAX, da Boeing. A Delta fechou acordo no ano passado para comprar dezenas de aviões CSeries a um preço que a Boeing diz estar bem abaixo do custo da Bombardier.

O caso aumentou as tensões comerciais entre EUA e Canadá em um momento em que os países se preparam para uma possível renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), diante da campanha "America First" de Donald Trump.

Estima-se que o Departamento de Comércio dos EUA aceitará as alegações da Boeing sobre dumping e subvenção, disseram especialistas.

A investigação é a mais recente a atingir a Bombardier após o Brasil lançar uma disputa contra o Canadá na Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando concorrência desleal.

O Brasil recebeu a ação nos EUA contra a Bombardier como apoio à alegação do país de que o apoio do Canadá ao CSeries pressiona o mercado de jatos comerciais da Embraer.

Uma investigação do Departamento de Comércio sobre as alegações da Boeing pode ser interrompida se a USITC rejeitá-la em uma reunião prevista para 12 de junho. Se o órgão permitir que o processo continue, o Departamento de Comércio precisaria determinar as medidas anti-subsídios preliminares por volta de 22 de julho, com um prazo para os direitos anti-dumping preliminares em torno de 3 de outubro.

A Boeing afirmou que a Bombardier, determinada a ganhar uma encomenda da Delta após perder uma licitação da United Airlines, ofereceu aviões a um preço "absurdamente baixo" de 19,6 milhões de dólares cada, bem abaixo do que descreveu como o custo de produção da aeronave, de 33,2 milhões.

O modelo 737-700 da Boeing tem preço de lista atual de 82,4 milhões de dólares, com o novo 737-MAX 7 a 92,2 milhões. Descontos sobre preços de lista são tipicamente de ao redor de 40 a 50 por cento na indústria.

Em abril de 2016, a Bombardier recebeu encomenda da Delta para 75 jatos CS100, com um valor estimado de 5,6 bilhões de dólares, com base no preço de lista de cerca de 71,8 milhões de dólares.

Na queixa contra a Bombardier, a Boeing alegou que o programa CSeries não existiria sem centenas de milhões de dólares em ajuda dos governos do Canadá e da Grã-Bretanha, ou uma injeção de 2,5 bilhões do maior fundo de pensão do Quebéc em 2015.

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