Casa de câmbio vê dobrar clientela querendo vender dólar após salto de 8%

Ricardo Marchesan
Do UOL, em São Paulo

  • Paulo Whitaker/Reuters

    Operador de corretora em São Paulo na quinta-feira, dia em que a Bolsa despencou

    Operador de corretora em São Paulo na quinta-feira, dia em que a Bolsa despencou

Após o pânico da véspera, o mercado financeiro viveu um dia mais calmo nesta sexta-feira (19). O dólar comercial caiu 3,89% e fechou cotado a R$ 3,257, depois de ter disparado 8,15% na quinta-feira, no maior salto desde 1999.

Ainda assim, o salto do dia anterior fez com que as pessoas ficassem mais cautelosas para comprar dólares. Outras tentavam lucrar com a venda da moeda.

O UOL visitou duas agências de câmbio na região da avenida Brigadeiro Faria Lima, um dos centros financeiros da capital paulista, na zona oeste da cidade.

Em uma delas, a SP Mundi Câmbio, o movimento foi intenso na manhã, mas a maior parte das pessoas aproveitou a alta da véspera para vender dólares, segundo o operador de câmbio Esmael Cattoni.

Ele afirma que, até o meio da tarde, o volume de negócios de clientes vendendo a moeda já era o dobro em relação à sexta-feira passada. Já o de pessoas comprando dólares era cerca de 35% menor, até aquele momento.

Na Confidence, a atendente disse que o movimento estava muito abaixo do normal, e que os clientes provavelmente aguardam para ver o que acontecerá com a moeda nos próximos dias. "Eles (clientes) estão esperando", afirmou.

O UOL permaneceu no local durante uma hora; três pessoas entraram na agência nesse período, mas nenhuma quis falar com a reportagem.

Em consulta feita pela manhã, a reportagem encontrou o dólar turismo sendo vendido por até R$ 3,65 em corretoras.

Calmo, mas incerto

Mesmo com o dia mais tranquilo, em comparação com a véspera, a insegurança com os possíveis desdobramentos da crise política permanece.

Para Fernando Bergallo, diretor de câmbio da corretora FB Capital, o mercado ainda estava muito instável, ligado no noticiário, mas "a situação de hoje está bem melhor do que ontem". "Passou um pouco o susto e agora (o dólar) está tentando achar o preço certo."

Ele diz, porém, que "não dá para dizer que o pior já passou", e que a possibilidade de novas notícias sobre a crise política durante o fim de semana pode afetar o mercado na segunda-feira. "Acho que segunda (o dólar) vai para outro patamar. Se para cima ou para baixo, não sei."

Segundo Rafael Sabadell, gestor de renda fixa da corretora GGR Investimentos, o mercado ainda está instável com as perspectivas políticas, o volume de negócios no dia foi alto para uma sexta-feira, mas o dia foi muito mais calmo que a véspera. "Veio mais na linha de uma correção do movimento de ontem."

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