Quer contratar alguém para cuidar do seu dinheiro? Veja dicas e alertas

Danylo Martins
Colaboração para o UOL, em São Paulo

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No dia a dia, é comum ter dúvidas sobre o que fazer com seu dinheiro. Como se organizar para não ficar no vermelho? Onde investir o recurso economizado? Um consultor ou planejador financeiro pode ajudar a resolver essas questões.

Na hora de escolher um profissional para cuidar do seu dinheiro, é preciso tomar cuidado para não cair em armadilhas. O UOL ouviu Lavínia Martins, diretora da Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros), e Juliana Inhasz, professora de finanças do Insper, e reuniu dicas e cuidados.

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Quem precisa de um consultor financeiro?

Em geral, estas são as situações mais comuns em que as pessoas procuram ajuda de um consultor: para sair das dívidas, para saber como gerenciar melhor o dinheiro ou escolher os investimentos mais adequados aos seus objetivos de vida. Também há muitos casos de quem precisa de apoio na hora de transmitir o patrimônio aos herdeiros.

"São pessoas que não se sentem seguras de fazer o próprio planejamento. O profissional dá esse apoio, assim como um personal trainer", afirma Lavínia.

Há, ainda, empresas que oferecem análises e relatórios sobre mercado financeiro e investimentos.

Quais as vantagens de contratar esse profissional?

Bancos e corretoras costumam oferecer consultoria financeira, muitas vezes gratuita. A vantagem de contratar um profissional independente, porém, é que ele não trabalha para o banco ou corretora e, por isso, tem menos chance de tentar "empurrar" um produto só para atender a um interesse da empresa --não necessariamente o melhor para o seu bolso. 

Um consultor ou planejador financeiro ajuda a enxergar para onde o dinheiro está indo e "descobrir" gastos desnecessários. Se o objetivo for se livrar de dívidas, o profissional auxilia nisso.

Ele também orienta sobre os tipos de aplicação financeira, identificando os investimentos mais adequados ao perfil de cada pessoa. "Ele ajuda a montar um plano de investimentos para atingir determinado objetivo e faz um acompanhamento desse plano com o cliente ao longo do tempo", diz Juliana.

Como saber se o consultor é qualificado?

É importante buscar indicações de pessoas que já tenham sido clientes do consultor até para saber qual a reputação do profissional. "Procure alguém com boas referências. Se for uma empresa, vale pesquisar as queixas registradas em sites como Reclame Aqui", afirma Juliana, do Insper.

Avalie também as qualificações de quem prestará o serviço. Tenha certeza de que o profissional possui formação e experiência na área de finanças. "Se tiver certificações, melhor ainda", diz Juliana.

A atividade de planejador financeiro não é regulada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), órgão responsável por fiscalizar o mercado de capitais no Brasil. Porém, existem certificações que servem como qualificação para esse profissional, como a CFP® (sigla para Certified Financial Planner, ou planejador financeiro certificado, em português), emitida pela Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros).

No site da Planejar há uma ferramenta que permite buscar planejadores certificados. Dá para encontrar profissionais por Estado, cidade e especialidades de atuação (aposentadoria, endividamento, investimentos, seguros, imóveis etc.).

Segundo a entidade, o número de profissionais certificados no Brasil saltou de 1.263, em 2013, para 3.338, até setembro deste ano. Para obter a certificação, é preciso fazer uma prova, em São Paulo, e comprovar, no mínimo, três anos de experiência profissional no atendimento a pessoas físicas.

No caso de um profissional ou consultoria que faz recomendações de investimento, é obrigatório ter uma autorização da CVM. Pelo site da entidade, é possível consultar os consultores de investimento credenciados. Basta buscar pela categoria "consultor de valores mobiliários" no campo "Tipo de Participante". 

Quanto custa uma consultoria financeira?

Lavínia, da Planejar, diz que não há uma regra da associação sobre como os planejadores devem fazer a cobrança pelo serviço prestado. Segundo ela, há profissionais que cobram por atendimento ou por hora; outros, definem a cobrança como um percentual sobre o patrimônio; há, ainda, quem ganhe comissões sobre os investimentos feitos pelos clientes.

O valor pode variar bastante, mas isso precisa estar claro e transparente para as pessoas. "É uma boa prática o profissional ter um contrato descrevendo os serviços prestados, qual o custo e como o valor será cobrado", afirma.

Ficou insatisfeito? Saiba a quem reclamar

Juliana, do Insper, diz que a recomendação é procurar órgãos de defesa do consumidor, como Procon, caso fique insatisfeito com o trabalho prestado pelo consultor. Afinal, é um serviço como qualquer outro.

Para situações que envolvam possíveis irregularidades com consultorias de valores mobiliários, é possível fazer uma reclamação à CVM para que o órgão investigue o que ocorreu.

Isso vale, por exemplo, para situações como decisões de investimento tomadas pelo consultor sem que você tenha concordado com elas. "São casos de má-fé, sem anuência do cliente", diz.

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