Caoa deve ficar sem Hyundai e prepara "virada": isso explica Caoa Chery

Fernando Calmon
Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

  • Leonardo Felix/UOL

Anunciado no sábado (11), acordo de cooperação assinado pelo grupo brasileiro Caoa e pela chinesa Chery para lançar a nova empresa Caoa Chery teve base financeira de US$ 60 milhões (quase R$ 200 milhões) por 50% do negócio da marca chinesa, que inclui a fábrica de Jacareí (Grande São Paulo), importação e comercialização.

Por trás da negociação, que já poderia ter saído no começo do ano, pode estar estratégia de "virada": rumores de múltiplas fontes, boa parte deles baseados em declarações dos executivos da própria Caoa, apontam que a gigante sul-coreana Hyundai deve encerrar parceria com Caoa em etapas sucessivas, nenhuma com tempo definido ainda: primeiro a desativação da parceria de importação dos modelos médios e grandes da Hyundai (operação mais fácil de ser assumida pela filial, atualmente responsável apenas por HB20 e Creta); depois devolução de capacidade industrial -- a produção local do Tucson e do ix35 em Anápolis (GO), modelos que ainda têm entrega interessante e são feitos em Anápolis (GO). Restaria a rede de concessionárias Caoa Hyundai, mas estas não precisam trocar de mão, não há qualquer impeditivo para que sigam ativas na forma atual.      

Todo esse novo panorama leva o grupo brasileiro a apostar em saída. E esta saída junto à Chery pode ser interessante, ainda que traga muitos desafios.

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A Chery já investiu no Brasil US$ 530 milhões na unidade industrial para 50.000 veículos/ano em dois turnos, além da montagem de motores. Mas nunca utilizou nem 20% dessa capacidade em razão da queda do mercado nacional e da imagem negativa dos produtos chineses. Vende atualmente New QQ e Celer (hatch e sedã).

Agora a administração total do negócio caberá ao grupo brasileiro que, além de operar uma fábrica em Anápolis (GO), onde produz os Hyundai ix35, Tucson e caminhões leves da marca sul-coreana, importa modelos Hyundai e Subaru. Também tem rede de concessionárias das duas marcas orientais e da Ford.

Em toda sua história (cerca de 35 anos de mercado), a Caoa ultrapassou a marca de 1,2 milhão de veículos vendidos de diversas marcas.

Caoa sem Hyundai

A empresa brasileira pretende investir, segundo um comunicado oficial, US$ 2 bilhões (quase R$ 7 bilhões) nos próximos cinco anos, com recursos próprios. Mauro Correia, presidente executivo do grupo, espera que a Chery capture até 5% do mercado brasileiro. Meta ambiciosa pois Nissan e Jeep, que têm avançado bem no Brasil nos últimos anos (inclusive no período de crise), respondem por apenas 3,5% e 4%, respectivamente, de market share. PSA (Peugeot e Citroën), com mais de 15 anos de história no Brasil e "tradição europeia", têm ainda menos: 2,2%.

Correia informou que os modelos Chery atuais, os que estão próximos de serem lançados -- como SUV Tiggo 2 e sedã Arrizo 5 -- e futuros produtos poderão tanto ser produzidos na fábrica da Chery (Jacareí), como na unidade que opera há 10 anos em Anápolis (atualmente produzindo modelos Hyundai). Lá o grupo já investiu R$ 2,5 bilhões e construiu recentemente um Centro de Pesquisa e Eficiência Energética.

Essa revelação vem ao encontro de rumores que em breve a Hyundai não deve renovar o acordo de produção e importação dos produtos coreanos por parte da Caoa. A Hyundai, que fabrica seus modelos compactos (linha HB20 e Creta) em Piracicaba (SP), deve ficar totalmente responsável também por seus modelos médios.

Especula-se que haveria um período de transição, dando tempo para consolidação e expansão da linha Chery sob responsabilidade do grupo brasileiro. Essa expansão, ainda segundo rumores, incluiria modelos elétricos desenvolvidos pela própria Caoa em colaboração com a Chery.

Como dito, há desafios, mas ver empresa chinesa interessada em vender negócios para grupo brasileiro, quando estão comprando empresas no restante do mundo, é algo extraordinário. Vale a pena observar o desfecho da ação no decorrer dos anos.

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