Foi só um arranhão mesmo? Colisão leve também afeta estrutura do carro

Vitor Matsubara
Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Divulgação

    Teste do Cesvi simula impacto leve -- e indica a gravidade dos danos

    Teste do Cesvi simula impacto leve -- e indica a gravidade dos danos

Batidas a velocidades baixas podem gerar danos ocultos que comprometem segurança num segundo acidente; saiba evitar

Acidentes sem gravidade acontecem aos montes no trânsito. Um estudo feito pela consultoria RCar indica que 75% das batidas registradas em grandes cidades acontecem a até 35 km/h, velocidade considerada como baixa.

Só que muita gente não sabe é que colisões pequenas podem afetar a estrutura do carro. "O para-choque deforma e volta em uma colisão por ser uma peça plástica, mas, em alguns casos, a estrutura metálica pode ter sido deformada. Aí é que mora o perigo", alerta Alessandro Rubio, coordenador técnico do Cesvi Brasil.

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Para evitar danos à longarina (estrutura que ajuda na rigidez da carroceria), alguns veículos saem de fábrica com o crash box, uma travessa feita de metal responsável por absorver impactos de batidas em baixa velocidade. Daí a importância de verificar o estado da peça após uma colisão.

"O crash box não pode ser reparado e, se não for substituído em caso de dano, há risco de absorção parcial do impacto, transferindo o restante da energia para a estrutura do veículo em uma nova batida", diz Rubio.

O perigo da segunda colisão

A necessidade de realizar uma funilaria completa em vez de um reparo mais simples não é o maior risco de andar com um crash box danificado. "Se a travessa estiver na dianteira, o airbag pode até demorar um pouco mais para deflagrar do que o projetado pela fábrica, e esse 'atraso' pode impedir que o item proteja os ocupantes em uma batida mais grave", alerta.

Se por um lado não há possibilidade de reparação do crash box, por outro sua substituição é rápida e, na maioria dos casos, mais barata do que uma funilaria simples. "Trata-se de uma peça do tipo 'plug and play', ou seja, basta desafixá-la e trocar por outra nova", diz Rubio.

Item raro

O problema é que nem todos os carros saem de fábrica com o crash box -- na verdade só uma minoria dos modelos vendidos no país possuem o equipamento, que não é obrigatório por lei.

E não pense que apenas carros mais baratos dispensam o item, já que o compacto Volkswagen up" está entre os carros equipados com ele. Não é à toa que seu índice de reparabilidade no ranking Car Group (que mede o custo de reparo de alguns modelos vendidos no Brasil) é um dos menores entre todas as categorias avaliadas.

Carros sem crash box possuem um absorvedor de polipropileno expandido, conhecido informalmente como absorvedor de isopor. Assim como no crash box, mesmo sem deformação aparente do lado de fora a peça pode ser danificada num impacto leve, o que impediria seu funcionamento adequado em uma nova colisão.

Independente do tipo de absorvedor presente em seu veículo, Rubio diz que o próprio dono pode analisar a gravidade do dano, mas recomenda procurar um funileiro de confiança assim que possível para verificar se a estrutura do carro foi danificada.

"Se a pessoa tiver um pouco de boa vontade ou conhecimento ela mesma pode olhar por baixo do para-choque e procurar por alguma deformação entre a carroceria e a capa plástica. Mesmo assim é melhor buscar um especialista: basta pedir uma verificação na parte interna do para-choque que um funileiro faz essa análise rapidamente".

Divulgação/Cesvi
Crash box pode ser facilmente substituído em caso de dano

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